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Dente por Dente

O nome da clínica era Dente por Dente e ficava duas ruas acima do lugar mais perto do fim da vila. Ele, um dos sócios, tinha-se tornado dentista muito novo, quando terminou o curso. Era um dentista dedicado que só trabalhava com a mais pura das certezas. Não usava a broca nos dentes dos clientes se resquício algum de infeção pudesse haver.

A sua sócia era bastante mais descontraída, porém especialista em coroas e implantes de titânio. A trabalhar para eles tinham ainda um higienista oral.

Não faltava nada no Dente por Dente! Até os preços eram imbatíveis.

Grãos de areia

Esta é a história verdadeira do homem que de decidiu contar os grãos de areia, um por um, da praia que ficava perto da casa dele. 
Zé Fagundes sempre tinha sido um homem de princípios. Sempre tinha sido obcecado por um motivo, por uma tarefa. Cada momento da sua vida era regido por uma tarefa a terminar, um obstáculo a ultrapassar, algo a fazer.

Corta-unhas

Discutiram ostensivamente os dois. Cada um parecia ter a razão do seu lado. Cada um queria ter a razão do seu lado. Infelizmente nenhum deles a tinha. Tinham sido um casal feliz até esse momento. A partir daí tudo começou a piorar. Quem imaginaria que tão inocente e útil utensílio teria esse efeito. De facto, nada assim o suporia mas teve.

Ela, acabada de acordar, ainda com os olhos meio fechados e com o cabelo semelhante àquele de quem acabara de ver um lobo, sai da cama, ainda ele dormia. Não deu por nada.

As palavras que as pessoas não disseram quando a chuva veio e estragou o penteado da senhora

Era sábado e o dia tinha começado com o nascer do sol, como sempre. A pessoa que será o centro da nossa história estava fora de casa, apanhando um pouco de sol. Admirava as plantas que tinha semeado ela própria, passava o resto do protetor solar e não lamentava viver sozinha. Joana sabia o que lhe tinha custado chegar onde chegou a meios próprios. Ninguém tinha ideia do que custaria chegar àquele ponto. A mulher mais rica da aldeia toda. Só a casa principal tinha uns 20 quartos e uma empregadagem de 10 serventes. Joana tinha criado um império e era solteira.

Vento Levante

Dias havia em que o vento soprava de forma tal que ninguém na aldeia dormia. Aterrorizados com aquele vento e sabendo o que significava andavam todos meio loucos, se ao medo podemos chamar loucura.

Apanhado!

Era Dia de Portugal e a pessoa estava entusiasmada para começar os festejos. Na Ferry Street, a pessoa andava para baixo e para cima, ansiosa para começar a celebração do Dia de Portugal. Newark era o centro das atenções todas. Nada acontecia que não passasse por Newark.

O seu nome, o da pessoa era Timóteo. Vivia acima de Nova Iorque e muito raramente ia a Newark. Só lá iria com a família comprar bacalhau, azeite e outros produtos que chegavam do lado de lá do Atlântico.

Manigâncias

A porta tinha sido aberta há pouco tempo. Aberta não. Tinha sido arrombada e só pouco tempo depois os donos da loja deram por isso. O furto tinha sido enorme e tinha dado imenso prejuízo.

A dona da loja vertia lágrimas como quem abre a comporta de uma barragem hidroelétrica.

Quando iriam recuperar tudo aquilo? Nem seguro tinham feito e não havia agora nada que pudessem fazer para tentar recuperar alguma coisa.

Os ladrões estavam identificados. Tinham sido aqueles malandros que andavam a fazer manigâncias ali e nas aldeias vizinhas.

A campanha

No exato dia em que se iniciou a campanha para as Europeias, Olinda Serpentina tomou uma decisão. Era importante participar ativamente na campanha para as eleições de quem toda a gente falava. O seu dever cívico de mulher alentejana e comprometida com causas, diversas, independentemente da sua finalidade, desde que fossem boas e corretas, falou mais alto e gritou-lhe ao ouvido até. Olinda Serpentina tinha de participar na campanha eleitoral. Era imperativo que defendesse as ideologias que estavam em jogo. Tinha de ser mesmo. Não fazia sentido de outra maneira.

A medida de todas as coisas

Expressão tantas vezes utilizada e tantas vezes não sabemos o que significa. Pois, nem nós nem o Senhor Senhorinho. Assim era seu nome e era vendedor de mercados e feiras há muitos anos. Senhor Senhorinho vendia tudo, mas tudo mesmo. Desde a mais simples peúga, ao mais complexo aparelho de televisão em HD, tudo estava à venda no atrelado do Senhor Senhorinho. Vendia de tudo e conhecia tudo. Tinha sementes... grão, feijão, trigo, aveia, cevada e até farelo. E, pior, vendia de tudo com a medida precisa, pois tinha a medida de todas as coisas.

Festival

Eram 3 dias de loucura que passariam a correr. Tudo começaria na sexta-feira ao final do dia e acabaria no domingo à noite, sensivelmente à mesma hora que tinha começado.

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