Está aqui

Artigos publicados

A preguiça

A seguir ao medo, escolhi a preguiça para nos fazer companhia neste fim de semana. Se na semana passada acordei com medo por volta das cinco e meia da manhã, hoje, dia nunca de antes do dia primeiro, acordei com preguiça. Sabem aquela que nos atormenta quando nos deitamos na cama e que não nos deixa sair dela antes do meio dia ou de qualquer hora depois do sol raiar e se sobrepor ao que já estava além do território oval terrestre?

O medo

Acordei bem cedo! Eram mais ou menos seis da manhã. Normalmente não acordo a esta hora da manhã mas hoje acordei. Não sei o que se passava à minha volta porque vivo e estou sempre sozinho. Não havia e não há nada ao meu lado. Apenas a parede e os cortinados, de um lado, do outro uma parede… e o nada.

Mas estava lá o medo! Essa personagem dos filmes americanos que me aparece aqui…

Pensais que tenho medo? Muito! O que é o medo? Essa sensação que nos assoberba e nos absorve e nos transforma?

Encruzilhadas

Foi na semana passa que o mundo acabou e com eles todos os animais se extinguiram e passaram a fazer parte do passado. Deles ficaram as memórias escritas semana a semana contando as suas ideias, os seus jeitos, as suas venturas e desventuras. Ficamos a conhecê-los tão bem que neles nos reconhecemos muitas vezes. Em cada um deles vimos coisas de cada um de nós e em cada um deles sentimos que poderíamos moldar-nos e ser assim.

O fim do mundo e histórias de cigarras

Quando o fim do mundo começou, havia muitas cigarras a fumar cigarros. O fim do mundo começou devagar… a meio ainda aconteceu mais devagarinho e quando se aproximou do fim, as coisas estavam ainda mais vagarosas. Os que gostam de fazer piadas sobre tudo e mais alguma coisa, diriam que o fim do mundo aconteceu no Alentejo. Não acho piada a essas coisas porque a velocidade no Alentejo é tal e qual a todas as outras as velocidades.

O flamingo

Era azul! A cor não é a certa, mas ele era azul como o céu e como o mar. Chamava-se Flamingo. Trabalhava na empresa de construção porque era, como se diz na América, um blue collar worker.

As pupilas da senhora Coruja

A senhora Coruja era professora numa escola do meio da floresta. Era uma senhora professora de um tempo em que as escolas e a educação era muito diferente daquilo que é hoje. Um tempo passado que já não existe e não voltará. A evolução da realidade criou barreiras que levam a que esse tempo não regresse nos mesmos moldes. Nem os manuais de ensino existem como existiram, na disposição dos conteúdos e nas mensagens transmitidas em palimpsesto.

Na aldeia, a professora era a figura mais respeitada. Ela e o médico, mas nesta aldeia o médico não existia. Só na vila mais próxima.

O Leão que só gostava da cor verde

Era uma vez um leão, grande e forte, que rugia mais alto que ninguém é que dominava a selva onde vivia. Este leão, não era o único. Vivia harmoniosamente entre tigres, águias, hienas e dragões. A harmonia entre eles era tal que todos os fins de semana partilhavam jogos de futebol. Ninguém se chateava. Jogavam intensamente mas dentro e fora de campo era um fair-play impressionante.

O reencontro

Todos os dias à mesma hora, durante anos, encontravam-se às escondidas num beco insuspeito. Viviam ambas na cidade mais populosa do mundo e sempre ali tinham vivido.

Durante todos esses anos em que se encontravam, pontualmente, à mesma hora naquele lugar, sabiam que a vida é etérea e tantas vezes incerta e fugaz. Essa consciência levava-os a manterem esse ritual. O encontro diário era importante. Nunca durava mais do que 15 a 20 minutos, mas era intenso, de partilha, de segredo.

O raspelho

Ninguém o conhecia. Ninguém sabia quem era. De facto, é complicado começar uma fábula com o pronome indefinido ninguém. Este, por muita pena minha e tristeza, alguma, começava assim. O raspelho nunca tinha sido ninguém importante, nunca tinha feito um feito que aparecesse na televisão… o raspelho era uma pessoa discreta, que não gostava de ser capa de revista, alguém que não pensava nunca ser parte de algo maior. Era o raspelho que passava os dias no meio da terra e da palha e isso bastava-lhe.

A formiga e a linha do comboio

Era uma vez uma formiga que se chamava Miga. Era uma formiga forte e trabalhadora que não parava. Todos os dias trabalha, de manhã à noite. Mal o sol nascia já a Formiga Miga estava a trabalhar. O Sol punha-se e a Formiga Miga ainda estava a trabalhar. Era incansável.

Miga trabalhava na construção. Durante muitos anos tinha trabalhado na agricultura mas de um dia para o outro passou a trabalhar na construção, mas sempre ao ar livre. Miga trabalhava na construção dos caminhos de ferro do Alentejo.

Páginas