Está aqui

Artigos publicados

A concentração

Há demasiadas distrações no nosso dia e na nossa vida. As coisas acontecem e repetem-se distraindo-nos do essencial. Esse mesmo que nos não sabemos qual é nem o que é. Há coisas e momentos que se cruzam connosco e que não conseguimos decifrar. A concentração é fundamental para chegar ao momento em que o resultado do movimento chega ao final sem ter intermédios.

A hesitação

Não sei bem como começar este texto. Há várias possibilidades de se iniciar alguma coisa e cada uma delas pode ter desfechos diferentes. Não sei se devo iniciar um texto definido e cujo tema já está definido, ou se devo prosseguir uma linha de pensamento que não está ainda bem definida, mas que me permitirá seguir por caminhos abertos. Não sei o que fazer. A dúvida e a escolha acompanham qualquer processo criativo ou decisões práticas diárias.

O barulho

É ensurdecedor. Demasiado grande o ruído que se ouve daqui e de além. Não se consegue ouvir nada mais além de um burburinho que é algo que cresce e se torna insuportável.

O barulho faz parte da nossa vida. Na morte certamente já não o ouviremos mas ele continua ao nosso redor. Até na sepultura o barulho incomoda os cemitérios. Não que alguém se queixe, mas há um ruído que dura e perdura em cada uma das entradas e saídas de uma casa sem vida.

A vergonha

Começo a escrever esta semana com algum receio, alguma insegurança em colocar as palavras juntas e construir frases que não sei se farão sentido algum. Se assim for, terei vergonha de escrever as linhas que se seguem.

Sendo muito semelhante a um camaleão, a vergonha pode assumir diferentes formas e aproximar-se daquilo que mais receamos.

O perfeccionismo

Aquilo que é perfeito é desprovido de erro. Não há nada na perfeição que seja uma falha ou que tenha uma irregularidade. A perfeição é o resultado sumo e final da obra que se constrói.

Uma construção que é perfeita é-o a nível tal que ninguém consegue detetar qualquer tipo de desvio ao planeado e o plano que lhe serviu de base é já de si perfeito.

A perfeição de um jogo de futebol acontece quando uma equipa não falha em nenhum dos passes e cuja estratégia é infalível, possibilitando uma vitória pelo maior número possível de golos.

O pânico

A noite caía devagar, marcando a transição entre o claro e o escuro. O coração de todos e de cada um batia de forma forte e acelerada. Eram muitos os corações que se emparelhavam e desenfreado o ritmo que, sendo ligado em máquinas, faria os motores do mais forte camião funcionar sem problema algum. Mas havia razão para tal. Na noite que se instalava devagar, a velocidade dos acontecimentos criava o pânico e os intervenientes sentiam, mais profunda que ninguém, a carga de ansiedade que a realidade trazia consigo.

A fadiga

Movimentavam-se dolentes debaixo do calor insuportável do Alentejo. As sombras eram mais pesadas que o próprio corpo. Num horizonte que se perdia de vista, caminhavam como se na penumbra fosse.

A fadiga vivia em todo o lugar da vida dos homens e das mulheres da baixa província. A fadiga movimentava-se no meio das coisas. No rosto das pessoas, o cansaço tomava o corpo da fadiga e tornava a dança do sol com o calor o suspiro da fadiga.

Os homens e as mulheres sabiam que os seus cansaços tinham um nome e viajavam entre pedaços de fazenda nessas terras.

A obstinação

Estavam duas pessoas no carro. Uma sentada no lado direito e outra sentada no lado esquerdo. Uma conduzia e a outra servia de co-piloto. O problema era que o co-piloto devia indicar o caminho a seguir e como era obstinado não queria por o mesmo do condutor.

Andaram dez quilómetros. Um a dizer que o caminho era pela esquerda e o outro pela direita. Tanto discutiram que acabaram por ter um acidente num cruzamento em que nem a direita nem a esquerda servia. Há quem diga que foi uma decisão mal tomada. Outras pessoas chamaram-lhe obstinação!

A culpa

Haverá muitos de vós que a sentem, por coisas cuja solução não podem dar e haverá tantas outras coisas cuja resolução vos ultrapassar mas continuam a sentir esse peso de quilos e toneladas na cabeça. Parece pesada… aquilo que fiz foi errado. Não era o caminho certo, não era o que eu tinha feito, mas não sei por que razão continuo a sentir culpa. A culpa é tão intrínseca ao ser humano como o solstício ao verão, as nuvens na chuva, os relâmpagos na trovoada… nada existiria um sem o outro. A culpa não morre sozinha, já se dizia quando nasci e quando cresci.

Páginas