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Opinião

Burning (2018)

Ou como fazer do absoluto desconforto um mistério apenas resolúvel pelo fogo, que é como quem diz, irresolúvel pelos padrões da carne + sangue pensante característica, na pior das hipóteses, do homo sapiens.

Imprudência

Gavina! Gavina! Gavina! Gritava o homem a peito cheio, na discussão que travava com a vendedora do mercado. No lugarejo de Imparável, ninguém parava o ímpeto consumista dos habitantes de Imparável, que por acaso se chamavam imparáveis. No lugarejo ninguém parava, nem a dormir. Nessa altura, toda a aldeia sonhava, que era a mesma coisa que estar a fazer alguma coisa.

A Geringonça Fantasma

Vamos ter uma legislatura completamente diferente da anterior: sem Geringonça, sem Geringonça 2.0, mas com uma Geringonça Fantasma. A culpa disto tudo foram os resultados das eleições legislativas do último domingo.

O Ser Humano não tem limites

Há vezes que a vida nos parece demasiado dura e que não vamos conseguir ultrapassar isto, ou aquilo. Nesses momentos, o mundo parece abater-se sobre nós. É então que nos chegam muitos outros exemplos do contrário. De que, com vontade, esforço, persistência e resiliência os problemas são ultrapassados; os objetivos são conseguidos; os limites são ultrapassados.

Um desejo simples, a renascença do CDS - Centro Democrático Social

«Sinto-me nascido a  cada momento para a eterna novidade  do mundo», Fernando Pessoa

Noite eleitoral

À hora em que esta crónica se encontra a ser escrita, os resultados ainda não se encontram fechados.

No entanto já se registam algumas certezas: a vitória do PS, sem maioria absoluta, a queda do PSD, a ainda maior queda do CDS, a continuidade do BE como terceira força política, a subida do PAN (até agora com quatro deputados) e a entrada de três novos partidos para o Parlamento, Iniciativa Liberal, Chega e Livre.

Ad Astra

Para as estrelas?

Perante Ad Astra, o mais recente filme de James Gray, corre-se um sério risco: permitir que a voluptuosidade do olhar interior que o filme convoca se deixe abater pelo aparente paradoxo científico.

O filme adopta uma orientação estranha e, em síntese, extravagante, desde as primeiras imagens. Desaba no sentido da gravidade tão rápida e intensamente quanto o defrontar / encarar permite, para dela (prontamente) se libertar para sempre (seja como força – i.e., propriedade científica -, seja como símbolo).

Hiato

Hugo andava louco naquele tempo. Naqueles dias em que nada crescia nas planícies ou nos campos imensos, Hugo sentia-se profundamente infeliz. Não creio que mesmo que viesse a chuva, deixaria de assim ser. Habitava num local perdido entre duas grandes cidades.

O nome fora-lhe dado por isso mesmo. Entre as cidades imaginárias de Heráclito e Herodia, Hugo morava no pequeno povoado de Hiato.

Liberdade, Independência, República e Educação

Hoje é 5 de outubro. Mais um. Podia este ser um dia qualquer, mas não é, e este ano, sendo o dia de reflexão que antecede mais um ato democrático, toma ainda mais relevo. E não fossem dois acontecimentos que hoje se celebram e podíamos nem ser país, nem viver em República.

A democracia portuguesa cresceu

Portugal será talvez o único país da Europa que mantém os mesmos partidos com representação parlamentar há 45 anos. Deixemos passar a exceção do Bloco de Esquerda, que ganhou representação ao juntar forças que vinham do período pós-revolução, e do PAN, que, por enquanto, se insere no grupo dos que ao longo destes 45 anos têm tentado, sempre sem sucesso duradouro, ganhar voz. Uns dirão que mostra estabilidade. Eu acredito que tenha mais a ver com estagnação e imobilismo. Os portugueses são tendencialmente avessos à mudança, e isso prejudica-nos. A Europa arrisca, comete erros, mas evolui.

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