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Amarelo e Verde

As tatuagens continuam no mesmo sítio. Há mais, até. Conto-te sobre elas deitados sob um teto familiar. Deixo-te percorrer o desenho das mesmas com as pontas dos teus dedos. Deixo que me pintes e juntos, formamos a melodia que sabemos de cor. Como já era de esperar. Tão nós.

Continuo a conversa sobre o que já conquistei, não que não soubesses, mas quero-te contar como pessoa que o viveu. Irias rir. Irias abraçar-me. E sobretudo os teus olhos brilhariam tanto. E eu tão opaca.

Duas linhas

Eu vejo-a. Eu vejo a linha. Está negra com pitadas de sangue a declamar o mesmo poema de amor. Outra e outra vez. É um ciclo. 

Não consigo pisa-la. Não posso pisa-la. Não posso sobrepor. Além de ser perigoso, acabaria por encerrar os olhos com a consequência de não os voltar a abrir. 

Ao som do ponteiro do relógio, quando toca uma hora certa, a linha dança e uma lágrima é derrapada, colidindo com o sangue e este espalha-se. Está em mim agora. O perigo está em mim. Sou eu. Eu sou o perigo. Eu sou risco.

Engulo em seco. 

13 de junho

Entre linhas gordas e pretas rescrevo-nos em sonhos que contrastam com a esperança. Que cheiram a reminiscência e cantam desolados. Um cheiro familiar e permito-me cair em câmara lenta, de joelhos, com olhos semi cerrados, ameaçando fechar a qualquer instante sem eu dar conta.

Relatos de um amor infinito que vibra nas nuvens.

Vês a mesma lua que eu?

Deixas-te enfeitiçar por ela?

Que ela te abrace como abraçara em dias famintos por amor. Desejo. Ternura. Fogo. E fado.

Um. Dois. Três. Quatro e cinco. A sorte tornou-se o (nosso) azar.

Clave de Sol

- Por favor, para. - Suplico entre dentes.

Não quero que pare, na realidade. Quero que continue porque é este resto que me mantém viva. E eu quero sentir-me viva; pelo menos, desta maneira. Da maneira que ele sabe tocar-me sem usar mãos, canções e cheiro. E isso tem a sua magia. 

Está tudo tão implícito e deixo-me ficar pelos impulsos. Impulsos estes que me salvam hora após hora a contar os segundos; à espera de nada, dando à ansiedade passe direto para os cantos mais escondidos do meu leve e delicado corpo. 

Ironia

Irónico, não é? Como linhas se cruzam e explodem vida. Explodem memórias. Ecoam vozes e fala-se de toda uma beleza escrita ao longo nos nossos corpos. 

Lisboa ganhou-me. Sob efeito de um sorriso - que aparentemente - envolve calor e despe simpatia; ganhou. 

Ainda não a querer acreditar no evidente resultado, os meus olhos tímidos enxergam a esperança que resiste. 

- Não, não e não. - É toda a informação que recebo enquanto que sinónimos lutam para aquecerem o meu coração. Ou o que resta dele.

Querido tu

Querido tu,

Faria loucuras para ouvir a tua voz. A pronunciar o apelido que me chamavas. A cantar a (nossa) canção. Para me sentir em casa. E eu sinto tanto a falta de casa. Da nossa casa.

 

Querido tu,

Faria loucuras para te abraçar. Para sentir o teu cheiro a curar cada pedaço de mim e,

 

Querido tu,

Faria loucuras para te olhar nos olhos. Saberias que era tua. Sempre fui e sempre serei. Para o castanho se tornar a minha cor favorita de novo e de novo.

 

Querido tu,

Silêncios

As pegadas foram tão profundas que queimaram a alma. Uma moldura partida onde o chão é decorado por vidros. Que eu não me importaria de caminhar em cima de. Engulo em seco e tento perceber o porquê de não caírem lágrimas. O porquê da minha cara doer se não existe nada que o provoque. 

Algo parou de bater, ao levar a mão ao meu coração percebo que não foi este, e uma vez mais, tento perceber. 

Ilusão

Já não bate. Já está perdido e arrastado. Sujo e derramado. Fragmentado e sem vida. 

Eram dois. Na verdade, podiam ser muitos dois. Dois segundos. Duas almas. Duas casas, mas apenas uns olhos que carecem de esperança tentam lutar.
Já foi. Já existiu. Preto manchado de ilusão vermelha, que não consegue exprimir. 

Ilumina-me

deixem-me vê-lo também. que ele penetre cada parte do meu corpo cansado e que faça sair o suspiro que está perdido entre pensamentos; apesar de haver dois que pintam o meu pulso esquerdo. não aquecem. não me comove. não me chega onde é suposto chegar.

sinto-me tão fria quanto uma noite de janeiro onde a geada faz desenhos no ar. não me consigo iluminar, os meus olhos não o sentem e estão perfeitamente abertos. não consigo abraçá-lo. não consigo toca-lo nem sentir.

que caos. 

À hora marcada

Como se estivesse a espenicar. Como quando queremos chamar alguém para a realidade.

Como se estivesse a berrar lá dentro. Treme tanto. Agita e nem sequer movo um pé.

Como se estivesse a querer sair e se encontrasse perdido sem encontrar uma das saídas.

Menos um; ou será apenas mais um?

O calendário deixou de fazer sentido e guio-me pelos desejos que pedi à lua. Pelos meus desabafos, pelos meus suspiros tão profundos quanto o mar. É assustador.

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