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Almas desalinhadas

Uma caiu, e a seguinte ameaça percorrer o mesmo caminho.

Há nuvens com formatos por desvendar que cobrem a minha cabeça, há um sentimento novo que me agarra e promete ficar até aos finais dos meus dias.

A cor azul prende-me para que nunca mais seja largada contra o vento. Sorrio pela solidão ser tão colorida.

Uma dor está deitada sob o meu corpo e forma um novo corpo que se junta ao meu. Uma vontade. Um desejo. Foi prometida a eternidade e não há rasto.

Ainda julho

Numa noite quente de julho, os meus olhos pretos transmitem pequenos raios de ansiedade. Um passo em frente e caio para trás. Dou balanço e as minhas costas reproduzem um barulho sonoro similar à dor quando embatem no chão.

A cura

Apertou e gritou. Suplicou e chorou. Deu a volta ao meu corpo e encontra-se perdido dentro do mesmo sem rasto.

Salgadas e quentes. Irrequietas e seguindo direções opostas, queimam sob o meu rosto melancólico.

Fechada e a arder. É acompanhada de sentimentos de medo e de mão trémulas.

Caí e dói. Há sangue. Há dor. Há paz invisível.

Permaneço caída a ouvir os sons e as sensações que eu mesma transmito.

Existem memórias espalhadas ao meu redor, junto de lembranças que ardem e pensamentos cortantes. Há anos ao meu redor e deito a minha cabeça no chão.

O Voo

Pesado e quente, apertado e irrequieto, tenta falar comigo. Era apenas um coração melancólico a apelar ao meu sonho de adolescente, amante de livros clichês. Era apenas um desejo. Apenas.

As borboletas que outrora elaboravam a coreografia mais cativante que já vira, transformaram-se num vácuo ocupado por silêncio. A trovoada roubou, pela calada, o sol quente que me abrigava e eu aprendi a gostar da chuva e da frescura que me oferecia.

Na minha perspetiva

Se eu pudesse voar, seguiria até aos teus braços que me acolhem como se fossem casa. Se prestar atenção acompanho a melodia que o teu coração forma constantemente. Se tu prestares atenção a quem seguras, conseguirás ouvir o sorriso que se revela pela razão que guardamos como o segredo mais profundo que carregamos.

As nossas mãos unem-se e os meus olhos nos teus pedem por mais sabendo que vivo presa num sonho. Os meus pés ficam elevados para ficar mais próxima a ti, de forma a que os nossos corações se juntem e formem um só.

Último Segundo

Estamos os dois sentados com as pernas estendidas. O sol, envergonhado, lança pequenos raios de cores quentes avisando que se vai despedir em breve. Tal como nós.

Acredito que ambos nos decidimos ficar pelo silêncio confortável por não saber passar para palavras o que estamos a sentir neste momento, nesta situação. Os nossos pensamentos queimam num volume estridente. Entre as nossas respirações tristes e irregulares, estico a minha mão até esta entrelaçar num amor profundo com o dono de um amor impossível.

O fumo da saudade

O cigarro em cima da mesa redonda com o formato da tua boca queima à medida que o meu fado é desenhado.

O cheiro já entrou dentro de mim e o meu coração sorri com a recordação, os meus pulmões pedem por mais e dou por mim a implorar por ti.

Só, encosto a minha cabeça à parede fria e o meu corpo rapidamente reage, encolhendo com a temperatura desagradável.

Um espelho rasgado

Encostada ao azulejo preto, deixo o meu corpo deslizar, sentido cada gota de água a escaldar a perfurar o meu corpo que ansia paz.

Desiludida por desiludir, cansada e deprimida, encaixo a minha cabeça no meio das minhas pernas, o meu corpo de vez em quando descontrola-se com a minha respiração inconstante, mas a água relaxa-me.

Penso no branco das nuvens e questiono-me sobre a sua textura. O meu cabelo, colado até meio das costas, abraça-me e sinto os meus olhos pequenos.

O gato cinzento

Há molduras à minha volta. Elas abraçam-me e é fácil de distinguir o cheiro a antigo. Há pinturas nelas de sem abrigos que berram solidão e pedidos de ajuda. Os pretos nas mesmas trazem até mim arrependimento.

Caminho até à rua com passos lentos sabendo o que me espera. São três da manhã e a lua está desenhada de forma a cintilar e refletir no preto dos meus olhos. O frio cumprimenta cada pelo no meu braço e relembro o quão quente estava há minutos. O vento brinca suavemente com os meus caracóis e sinto o meu corpo a congelar.

Para

Para de me puxar. Eu quero ficar.

Para de gritar. Não quero chorar.

Desamparada e com as pernas a tremer, o meu corpo é projetado contra o chão frio que cumprimenta todos os meus pelos em pé, por esta altura, arrepiados. Os meus olhos fixam-se na grande e vazia parede branca e dava tudo para voltar a ver aquela estrela cadente.

- Larga-me! - Imploro de novo como se fosse o refrão de uma canção. - Por favor - Suplico e o meu suspiro sai mais alto do que eu estava à espera.

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