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Documentários: o TOP 50

A propósito do achado que foi a divulgação, em forma de lista: TOP-50, pela revista Sight&Sound, dos melhores documentários de todos os tempos (assim mesmo), sinto-me finalmente livre para o meu voto-lista (sobra-me um TOP-10, que por acaso são mais do que 10, após tentativa e resgate):

1) Shoah; …

2) Um dos irmãos Maysles, talvez o Gimme Shelter, talvez o Grey Gardens, mas de preferência o Gimme Shelter;

3) Chronique d'un Été, da dupla Rouch & Morin;

4) Koyaanisqatsi, partindo do princípio que o é;

Splendor in the Grass (1961), de Elia Kazan

Eclesiastes, 11:9: Alegra-te, jovem, na tua mocidade. Mas para isso não te apaixones. E livra-te da intervenção dos teus pais sempre que possas. Sobretudo não te apaixones. Caso incumpras, espera-te uma de duas: desfalecimento ou loucura. Lá pelo meio, pela voz aflautada da fabulosa Barbara Loden, ouve-se algo assim: ”Um dia vais descobrir, e então que Deus te proteja.”

Claro que o percurso destes jovens se baseia naquele incumprimento específico, pois caso contrário não haveria filme. Natalie Wood e Warren Beatty. Qual deles vai enlouquecer primeiro?

2 filmes: Manhã Submersa e Dead Man

Manhã Submersa, de Lauro António, da obra homónima de Vergílio Ferreira.

Construção de uma tragédia, a convergir para um único momento, inferido muito antes, e gritado em off. O modelo é realista, mas com diálogos teatralizados (e, nesse caso, o que fazer com o rapaz – Joaquim Manuel Dias? Um achado com os seus XXXX a cada palavra).

Cornfield – Brando

THE NIGHT OF THE FOLLOWING DAY (1968) de Hubert Cornfield

O Adolescente – Le Cri du Coeur (1974)

Poucos filmes me foram tão dolorosos como O Adolescente – Le Cri du Coeur, de Claude Lallemand. Filme verdadeiramente esquecido pelo que me é dado a perceber (por exemplo, o link na Wikipédia remete erradamente para um outro filme com título semelhante), deixou uma profunda marca no adolescente que eu também era. Havia outro, o protagonista.

Evolution

Evolution (2015), de Lucile Hadzihalilovic

Estranhamente nem crítica nem público prestaram o devido tributo a Evolution, a segunda longa-metragem de Lucile H (segunda de duas, por enquanto).

Estamos perante um projecto radical, é certo, mas que não nos empurra para um canto com um certo desdém, como tão bem (tão mal) (tão equivocadamente) o fazem outros, como Gaspar Noé ou Nicolas Winding Refn.

Prefere levar-nos pela mão. Pede vasto e dedicado culto, digamos.

James Baldwin não é o meu negro, é o meu herói.

Acreditar que o mundo precisa de heróis é uma frivolidade que reduz o indivíduo a muito pouco, a quase nada, e que mais não faz que aceitar a desresponsabilização como fundamento. E sem individualidade responsável não há sapiens sapiens que nos valha. Nessa cama, a crer nas aparências, qualquer um se pode deitar sem sentir o peso da existência (iludindo as suas múltiplas consequências, quer dizer). O vazio total. Viver nesses termos pode ser leve, mas, bem vistas as coisas, de que serve passar todo o tempo que temos a contemplar o vácuo.

O demónio martirizado de Vercors

Ler numa mesma semana a fabulosa novela de Vercors (pseudónimo de Jean Bruller), Le Silence de la Mer, e um elevado número de excertos desse amontoado de páginas de pseudo-saber que é Atlas Shrugged, qualquer coisa como O Atlas Que Encolheu os Ombros e Foi à Vidinha Dele, de Ayn Rand, é experiência que pode influenciar de forma brutal o precioso mecanismo das conexões cerebrais e causar danos permanentes.

Ainda assim, é possível escapar, começando sempre pelo melhor, e esquecendo o que é de esquecer...

Variações em torno de um génio explícito

Nunca foi nem será tarefa fácil conseguir as palavras certas para expressar o fascínio que António Variações exerce.

Para já porque não é lógico, nada daquilo devia fazer sentido. Uma viagem entre uma aldeia perto de Braga e Nova Iorque – veja-se a insolência.

Under The Volcano (1984)

Não é o tempo ou a experiência (mantidos convenientemente como gémeos que escolheram viver como vizinhos) que nos preparam para um filme como Under The Volcano (1984), antepenúltima realização de John Huston. Porque nada nos prepara para a morte. Fora do jogo da ilusão, é claro.

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