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Pacheco Pereira

Pacheco Pereira: A devassa de um modo de vida sob a forma de homenagem (que o visado não precisa e, estamos certos, tão pouco ambiciona).

 

Pelo menos Pacheco Pereira (PP) diz o que pensa!

Diz o que diz para lá da conveniência partidária ou do, e aqui sejamos convenientes, espírito da sua época.

Não é escravo da direita ou da esquerda - não defende em exclusivo as posições que melhor se adequam a qualquer dessas tendências. E não se inibe de opiniões fortes, pelo que nem sempre o centro é o seu projecto.

O dia do indizível

Duas canções, um trecho de poesia de Aberto Caeiro e o dia do indizível (a tomada de posse de Donald Trump como presidente dos EUA) – relembrando o pesadelo.

Duas canções que não salvam nem confortam, mas que são incrivelmente belas; ficam como aviso:

Breathing (Kate Bush)     

Closing Time (Leonard Cohen)

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O reencontro com Rollerball

O reencontro com Rollerball, o de 2002.

O espírito de cada época é prisão a que ninguém escapa, pois não se percebe como tal. Mecanismo ilusório, visto como livro de instruções; isto é, uma necessidade determinada por regras supra-terrenas. Enfim, crença que não se distingue da fé, já estamos habituados.

Os Anjos do Inferno, os Justiceiros e os Justiceiros Assim-Assim

Os Anjos do Inferno, os Justiceiros e os Justiceiros Assim-Assim, i.e., What’s Going On?

Todas as semanas apanham um novo terrorista de Alcochete, com o resultado do costume: prisão preventiva. Todos pela medida grande, que isto com terroristas não se brinca.

Manchester By The Sea - Ao actor, o lugar que lhe pertence

Numa época em que ao actor se pede somente uma de duas, ou performance (entusiasmo) ou ausência (anonimato), um filme como Manchester By The Sea ressoa como um chamamento das profundezas. Bons papéis, como antes se dizia, que o talento transformava em notáveis criações. Falamos de ontem, mas não tem porque ser assim tão diferente no tempo presente... E não é, não nas suas determinações, na sacrossanta harmonia do trabalho artístico. Basta esperar pelo momento certo: saber reconhecer e não desaproveitar (aqui, refiro-me à responsabilidade do espectador).

Lutaram com a Lei – e a Lei esmagou-os

Quando uma canção passa por nós e a perdemos de vista, sabemos que acabará por voltar – quando tal acontecer, como as águas do rio, já não vai encontrar a mesma pessoa.

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I Fought the Law (Bobby Fuller)

I'm breakin' rocks in the hot sun

I fought the law and the law won

I fought the law and the law won

Robbin' people with a six-gun

I fought the law and the law won

I fought the law and the law won

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Ateísmo e pessimismo, uma coabitação necessária…e conveniente

O multifacetado George H. Smith (norte-americano, nascido no Japão ocupado em 1949), escritor, orador, académico, notório ateu e libertário, coloca a racionalidade na vanguarda da frente de combate contra o efeito religioso, e fá-lo razoavelmente bem na sua obra mais famosa, Atheism - The Case Against God. Dá para todos os lados por igual, aparentando a distância necessária que permite a discussão em termos precisos (i.e., a validação pela norma do método), mas tudo se resume a uma lógica tão evidente quanto vulgar:

NO

Filme “NO” (2012)

Foram Farpas, onde se disse sobre SI, NO e, ainda, milagres que nunca o foram.

Esclareça-se: o milagre é económico, e refere-se ao Chile nos tempos de Pinochet, que insuportavelmente haveria de morrer de velho.

Resposta exige-se.

Porquê?

Documentários: o TOP 50

A propósito do achado que foi a divulgação, em forma de lista: TOP-50, pela revista Sight&Sound, dos melhores documentários de todos os tempos (assim mesmo), sinto-me finalmente livre para o meu voto-lista (sobra-me um TOP-10, que por acaso são mais do que 10, após tentativa e resgate):

1) Shoah; …

2) Um dos irmãos Maysles, talvez o Gimme Shelter, talvez o Grey Gardens, mas de preferência o Gimme Shelter;

3) Chronique d'un Été, da dupla Rouch & Morin;

4) Koyaanisqatsi, partindo do princípio que o é;

Splendor in the Grass (1961), de Elia Kazan

Eclesiastes, 11:9: Alegra-te, jovem, na tua mocidade. Mas para isso não te apaixones. E livra-te da intervenção dos teus pais sempre que possas. Sobretudo não te apaixones. Caso incumpras, espera-te uma de duas: desfalecimento ou loucura. Lá pelo meio, pela voz aflautada da fabulosa Barbara Loden, ouve-se algo assim: ”Um dia vais descobrir, e então que Deus te proteja.”

Claro que o percurso destes jovens se baseia naquele incumprimento específico, pois caso contrário não haveria filme. Natalie Wood e Warren Beatty. Qual deles vai enlouquecer primeiro?

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