O apagão ibérico de 28 de abril de 2025 marcou um ponto de viragem na estratégia energética nacional, ou pelo menos deveria. O incidente, que teve origem em Espanha às 11:32 e propagou-se a Portugal em segundos, deixou o país às escuras e expôs a necessidade urgente de reforçar os mecanismos de recuperação da rede.
A REN acionou então o arranque a partir de Castelo do Bode e da Tapada do Outeiro, as únicas unidades então disponíveis com esta função mas, e como se viu e o governo reconheceu, estas duas centrais foram “insuficientes” em termos de velocidade para uma crise desta magnitude.
Para evitar novos colapsos prolongados, o Governo anunciou um plano de 137 milhões de euros para modernizar a rede. O destaque de então foi dado à transformação de Alqueva num centro estratégico de arranque rápido, isto é, um “blackstart”, que é a capacidade de uma central elétrica arrancar de forma autónoma, sem depender de energia externa da rede, para iniciar a reposição do sistema após um colapso total.
Anunciou-se então que o país passaria de duas para quatro centrais de blackstart, integrando Alqueva e Baixo Sabor no sistema, com um investimento estimado de 10 milhões de euros. A transformação de Alqueva numa central de arranque autónomo está concluída desde janeiro de 2026 e a barragem está totalmente apta a operar com a função Blackstart, integrando o sistema de segurança nacional.
Com Alqueva operacional, Portugal reduziu a dependência da central térmica da Tapada do Outeiro, cujo contrato de Blackstart foi, ainda assim, prorrogado até 2030 como margem de segurança adicional.
Agora estima-se que, se se der outro apagão, o sistema recuperará em 3 minutos.
