O Livre Alentejo manifestou uma oposição firme ao plano nacional das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (ZAER), que abrange 34 municípios da região. Através de um comunicado, a estrutura partidária criticou o modelo de licenciamento rápido criado pelo Governo para mega-projetos, acusando-o de impor uma lógica extrativista que transforma o Alentejo numa “fábrica de eletricidade” para abastecer o resto do país, sem fixar riqueza local. O partido defende que a transição energética deve começar prioritariamente pela cobertura de edifícios e zonas urbanas já existentes, salvaguardando o território de contornos que considera centralistas e especulativos.
Com base em dados do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), o Livre argumenta que Portugal tem capacidade para gerar mais de 23 gigawatts de energia solar recorrendo exclusivamente a áreas já artificializadas, como telhados públicos, escolas e parques de estacionamento. O partido aponta ainda desigualdades regulamentares, criticando a rapidez na aprovação de projetos de grandes empresas em contraste com a burocracia enfrentada pelas pequenas Comunidades de Energia Renovável (CER). O plano prevê a ocupação de quase 27 mil hectares para painéis solares e mais de 4.100 hectares para exploração eólica, levantando alarmes sobre a falta de limites de saturação por concelho e o impacto ecológico em solos férteis e habitats de aves protegidas, como o sisão e a abetarda.
Além dos impactos na biodiversidade e na atividade agrícola, o comunicado alerta para o consumo elevado de água necessário para a manutenção e limpeza dos painéis — estimado em 100 litros por MWh —, agravando o cenário de seca na região devido à ausência de tecnologias de limpeza a seco obrigatórias.
O partido menciona também os riscos associados à instalação de grandes contentores de baterias de lítio para gerir a intermitência energética, com leilões agendados para setembro de 2026 em Ferreira do Alentejo, Alqueva e Estremoz. Por fim, o Livre contesta o retorno económico prometido aos municípios, realçando a baixa criação de postos de trabalho e o desvio de lucros para fora da região, e propõe alternativas focadas no autoconsumo comunitário e no investimento público em empregos verdes.
