O Governo português vai avançar com uma iniciativa que visa pagar aos caçadores por cada javali abatido, numa estratégia desenhada para conter a sobrepopulação da espécie em várias regiões do país. O anúncio foi feito pelo ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, que reconheceu abertamente a existência de um grave desequilíbrio populacional destes animais em território nacional. Segundo o governante, a densidade atual de javalis é excessiva, o que torna urgente uma intervenção focada na redução destes exemplares através da atividade cinegética. A iniciativa focar-se-á, numa primeira fase, no mapeamento e identificação das áreas críticas com maior concentração de animais, canalizando para aí os incentivos económicos de forma a estimular a caça.
Apesar de a compensação por cada abate já estar confirmada pelo Executivo, os detalhes práticos da medida técnica e financeira permanecem em aberto. Detalhes como o montante exato a pagar por espécime, os critérios de elegibilidade para receber a verba, as localizações específicas abrangidas e o calendário para o arranque oficial do programa ainda não foram revelados. O Ministério pretende testar este modelo à escala piloto para, posteriormente, avaliar o impacto real e a eficácia das capturas antes de uma eventual expansão.
Esta intervenção governamental surge em resposta ao crescente volume de queixas devido aos severos prejuízos que os javalis causam no setor agrícola, bem como ao perigo iminente que representam para a segurança rodoviária, multiplicando o risco de acidentes nas estradas. Para José Manuel Fernandes, o cenário atual de descontrolo também expõe uma crise estrutural no setor da caça, apontando que o número atual de praticantes é insuficiente para manter o equilíbrio natural da fauna. O governante sublinhou que, caso existisse uma comunidade de caçadores robusta e em quantidade adequada, este subsídio extraordinário seria dispensável. Em suma, a lógica do programa assenta numa premissa direta: subsidiar o abate onde houver excesso de população animal, na expectativa de mitigar as perdas na agricultura, salvaguardar os automobilistas e repor a sustentabilidade ecológica das espécies.
