A reestruturação da Unidade de Oncologia do Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre, está a gerar uma forte troca de argumentos entre a administração de saúde e a oposição política. De um lado, a Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo assegura a continuidade do médico Rui Dinis para acalmar a contestação popular; do outro, o PCP denuncia que o horário do especialista foi cortado para metade e exige esclarecimentos substanciais sobre o futuro do serviço.
A administração liderada por Miguel Lopes garantiu publicamente que o oncologista Rui Dinis vai manter as suas funções e o acompanhamento dos doentes, explicando que o seu contrato se baseia na produtividade real e não num horário fixo. A tutela negou categoricamente qualquer intenção de poupança financeira e anunciou que, a partir de 1 de outubro, a equipa será reformulada para integrar três médicos. Entre as novidades está Tomás Carvalho, um clínico que já passou pela unidade em 2022, cuja contratação foi mantida pela ULS sob o princípio da presunção de inocência, apesar de o médico ser alvo de um processo de averiguações no Hospital de Évora e na Ordem dos Médicos.
Esta resposta surge numa altura em que a contestação social ganha força, com uma petição de utentes a superar as 2.650 assinaturas, e em que a autarca de Portalegre, Fermelinda Carvalho, se disponibilizou para mediar o diálogo entre os doentes e a ULS, apelando a que o caso seja gerido com cautela. Apesar das promessas de reforço feitas pela administração, a Direção da Organização Regional de Portalegre (Dorpor) do PCP classificou as justificações da ULS como incoerentes, alertando para uma quebra efetiva na capacidade de atendimento num serviço que era considerado uma referência nacional. O partido questionou ainda os critérios da gestão hospitalar, lamentando que o foco da reestruturação incida sobre uma especialidade que funcionava bem, enquanto setores críticos como a ortopedia e a maternidade continuam a registar graves falhas assistenciais e encerramentos parciais.
