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Internacional

Custo do trigo dispara e vai aumentar preço do pão. Portugal tem reservas deste cereal que não chegam a 20 dias

O custo da alimentação em Portugal prepara-se para sofrer um novo agravamento generalizado, impulsionado por uma combinação de fatores internacionais que inclui o conflito geopolítico no Mar Negro, os períodos de seca severa na Europa e um disparo de 37% na cotação global do trigo. O setor da panificação será o primeiro a refletir este cenário de pressão económica, estando previstos aumentos no preço do pão já a partir do próximo mês de outubro, segundo indicações da Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares (ACIP). Embora o pão lidere esta vaga de subidas, o impacto nas carteiras das famílias portuguesas deverá estender-se progressivamente a outros bens de consumo diário, tais como massas, produtos de pastelaria, cerveja, carne, leite e ovos, estes últimos afetados de forma indireta pelo encarecimento das rações para animais.
Esta vulnerabilidade do mercado nacional deve-se sobretudo à enorme dependência externa do país, uma vez que Portugal produz apenas cerca de 20% dos cereais que consome, importando os restantes 80%. No caso específico do trigo, o cenário é ainda mais frágil, com a produção interna a garantir somente 5% das necessidades. A indústria nacional de panificação e pastelaria tem enfrentado, desde junho, aumentos médios na ordem dos 10% em matérias-primas essenciais como o trigo panificável e as leveduras, somando-se a isto a escalada contínua nos custos da energia, dos transportes e da mão de obra. Embora a relação entre o preço da matéria-prima e o produto final não seja direta — dado que a farinha representa cerca de 14% do custo total de fabrico do pão, face a mais de 40% com gastos de pessoal —, a persistência destes valores elevados nos mercados internacionais esgota a capacidade das empresas de absorver as perdas, forçando a transferência dos custos para o consumidor final. Para agravar a situação, as reservas estratégicas nacionais de cereais são muito limitadas, cobrindo apenas entre duas a três semanas de consumo, o que deixa o país altamente exposto a qualquer perturbação no abastecimento marítimo e nos portos comerciais.

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