Uma grave invasão da alga asiática Rugulopteryx okamurae está a colocar em risco a biodiversidade marinha e a subsistência dos pescadores na região de Sines. Detetada inicialmente na zona há cerca de uma década pelo investigador Joaquim Parrinha, a espécie originária do Oceano Pacífico registou um aumento alarmante no final de agosto, cobrindo o fundo do mar até aos 12 metros de profundidade. O especialista do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) alerta que o cenário tende a agravar-se exponencialmente nos próximos anos, uma vez que a planta já completou três ciclos reprodutivos apenas este ano. Ao formar uma densa camada no fundo rochoso, a alga bloqueia a luz solar e o oxigénio, sufocando a flora nativa e afastando a fauna local.
O impacto económico já se faz sentir fortemente na comunidade piscatória local. O pescador Luís Soares relata que a acumulação da alga nas redes de pesca inviabiliza o trabalho sempre que o mar está mais agitado, além de afastar as espécies comerciais da linha da costa. De acordo com os observadores, o verão de 2026 ficou marcado por uma quebra acentuada na captura de peixe e de polvo. Em contrapartida, registou-se um comportamento atípico de crustáceos como a santola, que abandonam os seus esconderijos devido à degradação do habitat e ficam mais expostos. Embora o mar acabe por arrastar parte da biomassa para praias como a de São Torpes, o vento de sueste faz regressar rapidamente os grandes aglomerados à areia.
Perante um cenário em que a erradicação é considerada impossível, a comunidade científica defende que a solução passa pela valorização económica deste resíduo. Atualmente, já existem projetos em Portugal para aplicar estas algas no setor agrícola, sendo necessário lavá-las previamente para remover o sal e utilizá-las como fertilizante direto. Joaquim Parrinha aponta ainda o potencial industrial da espécie para a extração de coloides, óleos e carragenas. Estas substâncias podem ser aproveitadas tanto para a produção de rações animais como para a indústria alimentar humana. A evolução desta ameaça biológica continuará sob monitorização apertada, focando agora os esforços na transformação deste problema ambiental numa oportunidade de negócio.
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