A associação ambientalista Quercus emitiu um forte apelo ao Governo e à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para que não cedam às pressões e ameaças de litigância judicial por parte da Coporgest, promotora do Comporta Beach & Golf Resort, no concelho de Grândola. Em causa está a intenção da empresa de avançar com uma providência cautelar para travar a revisão do Programa da Orla Costeira (POC) Espichel-Odeceixe e a criação de 250 lugares de estacionamento público destinados a assegurar o livre acesso às praias das Camarinhas e da Duna Cinzenta. Atualmente, a falta de estacionamento público na zona faz com que estas praias funcionem, na prática, como exclusivas para os clientes dos resorts circundantes, já que o único acesso disponível junto à Estrada Nacional 253 está vedado a carros particulares.
A organização liderada por Alexandra Azevedo sublinha que este caso não é isolado, recordando que a mesma promotora imobiliária já tinha sido notificada pela APA para remover a publicidade online que promovia uma “praia privada imaculada”. A Quercus elogia a postura firme demonstrada até ao momento pela tutela na defesa do domínio público marítimo, mas defende a necessidade urgente de passar das palavras aos atos, aplicando coimas eficazes aos empreendimentos de luxo que criem obstáculos físicos ou promovam informações enganosas. Por fim, a associação insta a população a denunciar quaisquer restrições no acesso às praias portuguesas, alertando que a passividade das autoridades apenas favorece os interesses privados que tentam apropriar-se do litoral.
