Há séculos que a Serra d’Ossa guarda silêncios que poucos conhecem. Foi neste território de espiritualidade profunda, no coração do Alentejo Central, que os Monges Eremitas da Ordem de São Paulo escolheram fixar-se para uma vida de contemplação, oração e trabalho da terra — deixando uma herança mística que o Município de Redondo decidiu agora preservar e partilhar com o mundo. Para isso, lançou o concurso público para a construção do Centro de Descoberta do Misticismo da Serra d’Ossa, um equipamento com um investimento global de cerca de 800.000 euros, implantado no coração da Aldeia da Serra, que promete transformar esta espiritualidade esquecida numa experiência cultural imersiva e inesquecível.
O centro, a construir em dois edifícios com prazo de execução de 365 dias, será a porta de entrada para uma herança que cruza o sagrado e o natural, o histórico e o sensorial. Através de realidade virtual e aumentada, vídeos e descrições áudio, os visitantes poderão mergulhar no universo dos eremitas que habitaram estas serras — a sua espiritualidade, os seus rituais, a sua relação íntima com a paisagem alentejana. A área expositiva e interactiva será complementada por loja de produtos endógenos, cafetaria com esplanada e postos de carregamento para veículos eléctricos, funcionando também como ponto de apoio aos percursos pedestres e cicláveis da Serra d’Ossa, desenvolvidos em articulação com os cinco municípios vizinhos.
A aposta do Município de Redondo é clara: transformar a Serra d’Ossa num destino de referência para um turismo que procura experiências autênticas, contemplativas e enraizadas no território — um perfil de viajante cada vez mais presente no Alentejo e cada vez mais valorizado no panorama do turismo cultural europeu. Num mundo acelerado e ruidoso, a promessa de um lugar onde o misticismo ainda habita a pedra, o sobreiro e o silêncio pode ser, precisamente, o que distingue a Serra d’Ossa de qualquer outro destino.
