Uma infestação de percevejos detetada em várias camaratas e instalações sanitárias do Centro de Formação de Portalegre levou a Guarda Nacional Republicana (GNR) a alterar o funcionamento do Curso de Formação de Guardas. A situação foi inicialmente denunciada pela Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), que alertou para o perigo que a praga representava para os mais de 400 formandos alojados no local. Em resposta, a força de segurança esclareceu que as aulas presenciais serão temporariamente substituídas pelo regime de ensino à distância entre quarta e sexta-feira, rejeitando a ideia de uma interrupção total do curso. Esta medida preventiva visa proteger o bem-estar dos futuros militares enquanto decorrem os trabalhos de desinfestação, iniciados na semana passada e com nova intervenção agendada por uma empresa especializada.
Apesar da intervenção de limpeza, a APG/GNR aproveitou o incidente para expor problemas estruturais mais profundos e antigos no centro de formação, classificando o ambiente em que vivem os formandos como degradante. Segundo o sindicato, os formandos partilham quartos sobrelotados com cerca de duas dezenas de pessoas em beliches, sem ar condicionado e com relatos adicionais de invasões de baratas. A associação sublinha que os alunos residem em estruturas de alojamento provisórias que já contam com três décadas de existência, exigindo por isso que o Governo intervenha com urgência e mude o curso de local. Embora o município tenha disponibilizado um terreno de grandes dimensões para erguer uma nova escola e quartel, o projeto mantém-se paralisado, alimentando as críticas da associação sobre a lentidão do Estado na modernização das infraestruturas policiais.
