Portugal prepara-se para viver uma noite astronómica histórica com a ocorrência consecutiva de um eclipse solar e da chuva de estrelas das Perseidas. Sem necessidade de jogos de futebol ou de anúncios políticos, o país vai parar ao final da tarde para acompanhar o alinhamento cósmico onde a Lua bloqueará a luz do Sol. Nas regiões onde o eclipse será total, o cenário assemelhar-se-á a um filme de ficção científica, com o dia a transformar-se subitamente em noite, acompanhado pela redução do ruído ambiente, descida da temperatura e o aparecimento de sombras invulgares. Este evento assume um caráter excecional pela sua raridade, uma vez que o último eclipse total visível em solo continental português tinha ocorrido em 1912.
O espetáculo começará oficialmente às 18h33 e terminará às 20h23, com a duração total de cerca de duas horas. O momento mais aguardado acontece por volta das 19h30, sendo que a fase de totalidade durará escassos 25 segundos e só poderá ser vivenciada a 100% no Parque Natural de Montesinho, em Bragança. No resto do território continental, a população poderá observar um eclipse parcial profundo com uma ocultação entre os 92% e os 99%. Já nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, o fenómeno será mais modesto, apresentando uma visibilidade de cobertura entre os 74% e os 77%. Para desfrutar do momento, os especialistas sugerem a escolha de locais amplos e sem a obstrução de edifícios.
A segurança é o fator mais crítico apontado pelas autoridades de saúde e organizações astronómicas, que reforçam que nunca se deve olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada. A observação a olho nu, com óculos de sol comuns ou através de telescópios e câmaras sem filtros pode causar queimaduras graves e irreversíveis na retina, sem que a pessoa sinta dor imediata. A única forma segura de acompanhar o eclipse é através de óculos específicos com certificação ISO 12312-2 ou ISO 12312-2:2015 e marcação CE. Embora as iniciativas de distribuição gratuita em Portugal já tenham esgotado os seus stocks, estes dispositivos de proteção solar podem ser adquiridos em farmácias, supermercados e lojas especializadas online com preços que rondam os três euros. Os mesmos cuidados aplicam-se às lentes de telemóveis e câmaras fotográficas, que correm o risco de ficar danificadas sem o devido isolamento.
Pouco tempo após o término do eclipse solar, por volta das 21h30, os céus portugueses vão receber a atividade da chuva de meteoros das Perseidas, cujos rastos luminosos cruzam a atmosfera anualmente entre julho e agosto. O pico deste fenómeno coincide com o facto de a Lua se encontrar na fase de lua nova, garantindo um céu perfeitamente escuro e propício à observação. A atividade dos meteoros começará a intensificar-se a partir da meia-noite, atingindo o seu ponto alto entre as 02h00 e as 05h00 da madrugada seguinte, altura em que a constelação de Perseu estará mais elevada no horizonte.
Para maximizar a experiência de observação da chuva de estrelas, recomenda-se a deslocação para zonas de elevada altitude e isoladas da poluição luminosa das cidades, tais como o Dark Sky Alqueva no Alentejo, a região de Bragança e Montesinho, a Serra da Estrela ou o Parque Nacional da Peneda-Gerês. Como recomendação prática final, os astrónomos aconselham os observadores a evitarem olhar para ecrãs de telemóveis ou computadores durante cerca de 30 minutos antes do início da sessão, permitindo assim que os olhos se adaptem plenamente à escuridão profunda da noite.
