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Internacional

Central nuclear espanhola junto à fronteira com Portalegre já ultrapassou tempo de vida útil mas vai manter-se a funcionar

O Ministério espanhol da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico prorrogou a licença de atividade dos dois reatores da Central Nuclear de Almaraz até junho de 2030. A medida de Madrid, formalizada num diploma legal divulgado esta sexta-feira, altera o calendário fixado no protocolo de encerramento progressivo assinado pelas elétricas, que estipulava a desativação da Unidade I em novembro de 2027 e da Unidade II em outubro de 2028. Este prolongamento resulta de um pedido formal submetido pelas três empresas proprietárias do complexo energético: a Iberdrola, a Endesa e a Naturgy.
A infraestrutura, em funcionamento desde 1981, já ultrapassou a sua vida útil inicialmente estimada em 40 anos e acumula um histórico de falhas e avarias técnicas. Almaraz é a central nuclear espanhola mais próxima do Alentejo, localizando-se a apenas 100 quilómetros da fronteira com o distrito de Portalegre. A central está implantada junto ao rio Tejo e numa zona de risco sísmico.
O encerramento esteve originalmente previsto para 2010 e, mais tarde, reprogramado para 2024. Contudo, após uma alteração em 2019, o Conselho de Segurança Nuclear (CSN) espanhol tinha viabilizado a operação até outubro de 2028. A nova portaria estende agora esse prazo até 2030, vinculando a atividade ao cumprimento rigoroso das regras de proteção radiológica. 
O prolongamento da atividade da central surge num momento de forte contestação política em Portugal. Na sequência de vários incidentes técnicos registados num espaço de cinco dias, o eurodeputado socialista Carlos Zorrinho voltou a interpelar a Comissão Europeia sobre as condições de segurança da central. Paralelamente, numa iniciativa conjunta, os eurodeputados do PSD Paulo Rangel, Maria da Graça Carvalho e Álvaro Amaro questionaram Bruxelas sobre as diligências do Governo português para acelerar o desmantelamento da infraestrutura.
Em Lisboa, o Parlamento aprovou por larga maioria uma resolução que recomenda ao Governo português uma intervenção diplomática urgente junto de Madrid para exigir o encerramento definitivo de Almaraz. O projeto de resolução, originado pelo PAN, colheu uma rara unanimidade ao ser subscrito pelo PS, PSD, BE, PCP, CDS, PEV, Chega e pelas deputadas não inscritas Joacine Katar Moreira e Cristina Rodrigues. Apenas a Iniciativa Liberal optou pela abstenção no documento que insta o executivo português a agir junto dos seus homólogos espanhóis, salvaguardando que Portugal não tem poder legal para impor o fecho unilateral da central.
Apesar da oposição política e ambiental em Portugal, o Governo de Espanha justifica a extensão do prazo operacional com base na instabilidade geopolítica no Médio Oriente e na consequente volatilidade dos preços do gás natural no mercado internacional. Os relatórios oficiais que acompanham o diploma indicam que a manutenção de Almaraz até ao final da década ajuda a mitigar a dependência energética externa, exercendo um impacto residual e sem relevância no ritmo de crescimento das energias renováveis em Espanha.

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