O concurso público para a construção do novo terminal de contentores do Porto de Sines, batizado de Vasco da Gama, deverá ser lançado até ao final do primeiro semestre de 2027. A meta foi avançada por Pedro do Ó Ramos, presidente da Administração dos Portos de Sines e Algarve (APS), que pretende antecipar o calendário oficial estipulado pelo Governo até ao final desse ano, de forma a captar o interesse de investidores internacionais o quanto antes. O projeto prevê um investimento totalmente privado de 700 milhões de euros e terá capacidade para movimentar três milhões de contentores (TEU) por ano, como avança hoje O Jornal Económico.
Esta nova infraestrutura surge integrada na estratégia nacional “Portos5+”, apresentada pelo ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, que projeta atrair entre 3 a 4 mil milhões de euros em investimento privado através de 15 novas concessões portuárias até 2035. Durante um debate organizado pela sociedade de advogados Perez-Llorca, Pedro do Ó Ramos explicou que o mercado está recetivo e que o alargamento do prazo legal das concessões (que agora pode ir até aos 75 anos) será um fator decisivo para o sucesso do concurso, ao contrário do que aconteceu na tentativa falhada de 2019, que acabou por ficar deserta devido à curta duração contratual proposta na altura e ao início da pandemia de Covid-19.
Atualmente, Sines ocupa a 14ª posição no ranking dos maiores portos de contentores da Europa, operando essencialmente através do Terminal XXI — concessionado à empresa PSA de Singapura —, que está em fase de expansão e negoceia o prolongamento do seu contrato além de 2049. O porto alentejano destaca-se no panorama internacional pelas suas características geográficas únicas: possui águas profundas naturais com fundos até 28 metros, o que facilita a acostagem de mega-navios, e localiza-se em mar aberto diretamente nas principais rotas marítimas mundiais, evitando os constrangimentos fluviais dos portos do norte da Europa.
Para suportar este crescimento, as acessibilidades logísticas estão também a ser reforçadas. A ligação ferroviária de mercadorias até à fronteira com Espanha já se encontra finalizada e entrará em pleno funcionamento no próximo ano, assim que concluído o processo de certificação, permitindo escoar carga para Madrid de forma muito mais rápida. No plano rodoviário, embora a ligação direta às autoestradas principais e a Espanha ainda dependa da conclusão das obras de alargamento do IP8 (A26), o Governo sublinha que a modernização portuária avança em articulação com os restantes grandes eixos nacionais, incluindo a alta velocidade ferroviária e o futuro aeroporto de Lisboa, garantindo a estabilidade e o consenso político necessários para o desenvolvimento económico sustentável do país.
