O Bloco de Esquerda quer esclarecimentos do Executivo sobre a criação de uma nova infraestrutura portuária em Sines com valências militares, um investimento orçado em sensivelmente 90 milhões de euros. Em causa estão as recentes declarações do líder da Administração dos Portos de Sines e do Algarve, que detalhou o projeto numa entrevista na rádio, motivando uma reação imediata do deputado Fabian Figueiredo. Num documento já submetido ao Parlamento, o parlamentar bloquista acusa o Executivo de avançar com o plano de forma opaca e sem promover a discussão pública, alertando que a medida acentua a militarização daquela zona costeira. O partido avisa ainda que a acumulação de complexos industriais e energéticos no local, agora associada a valências de Defesa, eleva o perigo de acidentes graves e coloca a região no mapa de potenciais alvos em situações de tensão geopolítica mundial.
No requerimento enviado à Assembleia da República, Fabian Figueiredo contextualiza este investimento com as diretrizes da NATO e as exigências internacionais para que os Estados-membros canalizem 5% do Produto Interno Bruto para as forças armadas, um objetivo com o qual o país já concordou. Face a este cenário, o Bloco de Esquerda exige saber se a tutela valida formalmente o propósito militar do cais, quais são os prazos previstos e de que forma o plano se articula com a estratégia de segurança da Aliança Atlântica. Os bloquistas pretendem também ter acesso às análises de ordenamento do território e de risco civil que sustentam a decisão, criticando duramente o facto de as autarquias locais, a Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral e os cidadãos terem sido completamente excluídos do processo, o que consideram configurar uma falha democrática grave que o Governo terá agora de clarificar através de respostas detalhadas.
