Tribuna Alentejo
Sociedade

Associação de Agricultores de Serpa pede revisão dos apoios à agricultura no Guadiana

A APROSERPA — Associação de Agricultores da Margem Esquerda do Guadiana reuniu com a vice-presidência da CCDR Alentejo para apresentar dois trabalhos técnicos sobre os custos de produção dos cereais de sequeiro e as restrições da Rede Natura 2000 em territórios como o Vale do Guadiana, Serra de Serpa, Ficalho e Moura/Barrancos. A associação optou pelo caminho do diálogo institucional — com números, documentação e propostas concretas —, passando as suas preocupações do plano da denúncia para o da apresentação formal. Os documentos foram encaminhados para o Ministério da Agricultura. O alerta central prende-se com a viabilidade económica do cereal de sequeiro: a APROSERPA sublinha que o custo de produção está a tornar-se progressivamente incompatível com os apoios e preços disponíveis no mercado — uma preocupação que é simultaneamente económica e ecológica, uma vez que a produção de cereais em extensivo é o habitat de espécies estepárias como o sisão, a abetarda e o tartaranhão-caçador, cuja sobrevivência depende directamente da manutenção desta agricultura.

No que respeita ao gasóleo agrícola, a APROSERPA rejeita medidas improvisadas e reivindica um mecanismo “automático e previsível” de estabilização do preço, complementado por uma componente energética específica para culturas como os cereais de sequeiro. A crítica ao modelo actual é directa: a sucessão de medidas extraordinárias apenas é accionada depois de os aumentos já terem atingido as explorações, numa lógica reactiva incompatível com agricultores que têm de tomar decisões de campanha meses antes de saber qual será o custo do combustível. A associação pede ainda uma “cláusula de salvaguarda” para situações climáticas excepcionais, a revisão das regras de comercialização dos cereais e a valorização oficial do autoconsumo nas explorações agropecuárias.

Quanto à Rede Natura 2000, a APROSERPA exige proporcionalidade nas restrições impostas e transparência na sua avaliação económica, questionando a memória de cálculo dos actuais 104 euros por hectare de compensação e solicitando a revisão dos valores pagos aos agricultores que operam em zonas classificadas. A associação deixa um recado que vale como advertência: escolheu o diálogo institucional, mas isso “não significa silêncio no terreno”. Enquanto as respostas não chegam de Lisboa, os agricultores da margem esquerda do Guadiana continuam todos os dias a abastecer tratores, a alimentar animais e a suportar o custo de produzir numa das regiões mais desafiantes do interior alentejano.

Artigos relacionados

Alentejo 2030 injeta novo pacote de 46,1 milhões de euros para construção de habitação na região

Redação Alentejo

Prisão preventiva para homem detido em Portel por abuso sexual de menores e pornografia infantil

Redação Alentejo

Municípios do Litoral Alentejano têm a partir de hoje 9,3 milhões de euros para habitação a custos controlados. Dinheiro vem do encerramento da Central Termoelétrica de Sines

Redação Alentejo

Alentejanos são os mais conservadores de poupança mesmo tendo dívidas, diz estudo

Redação Alentejo

PSP expõe 25 manequins na Praça do Giraldo para assinalar Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres

Redação Alentejo

Arraiolos: Criminoso em liberdade condicional foi detido por violência doméstica contra a ex-namorada

Redação Alentejo