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CR7 e mais 10!

Muito se tem falado sobre a prestação da Seleção das Quinas neste Mundial de Futebol. De tempos a tempos, somos confrontados com uma euforia desmedida sobre o valor dos nossos jogadores, da “geração de ouro” e da qualidade inigualável do conjunto luso. Para os mais velhos, nada de novo. Já era assim, desde o tempo do Figo, Rui Costa, João Vieira Pinto, entre outros. Confesso que já não tenho uma memória efetiva do Caso Saltillo e do escândalo que se originou em 1986, mas esse conjunto de atletas também tinha craques de encher o campo. Já para não falar dos Magriços e do Eusébio!

O que eu quero dizer é que sempre que há um grande torneio, cria-se uma grande expectativa em torno da Seleção, na opinião pública, nos meios de comunicação, nas conversas de café, com propaganda associada, baseada no facto de sermos “muito melhores”, de termos um “naipe de jogadores muito acima da média, do ponto de vista técnico” e de termos a “obrigação” de ganhar sempre.

Parece-me que esta abordagem que é feita, se calhar até de forma inconsciente, coloca a fasquia num patamar muito elevado e condiciona a performance dos nossos atletas. Podem dizer-me que todos eles estão (ou deviam estar) habituados a esta pressão, mas representar o País coloca as emoções num nível que não tem comparação com o que se vive nos clubes que os mesmos representam. Representar Portugal é sempre um motivo de maior honra!

Os nossos emigrantes, exemplo de maior dedicação e fervor, fazem quilómetros, de avião, carro ou comboio, para ver a Seleção lusa e são talvez os que sofrem mais com os desaires, em termos dos resultados, que ficam muitas vezes aquém das expectativas. Ainda assim, não desistem e participam ativamente nesta euforia coletiva que toma conta de nós.

Mas não podemos esquecer que os nossos adversários têm também o seu valor. Muitos dos jogadores, sejam do Congo ou do Uzbequistão (que nem sei bem onde fica), jogam nas grandes equipas europeias e não são propriamente uns “coxos” a jogar à bola. Se lá estão, é porque se esforçaram e têm garra e amor à camisola.

Por vezes, é o que parece faltar aos nossos! A qualidade pode lá estar, mas a vontade parece ser pouca! Se somos efetivamente os melhores, temos que o demonstrar em campo!

Depois, há outras questões relevantes!

Na minha opinião, Cristiano Ronaldo tem que jogar sempre. Ele é o símbolo maior de Portugal neste momento e de um momento para o outro, pode resolver uma partida. A frescura já não é a mesma, mas a qualidade está lá, em termos de posicionamento e de sabedoria.

Quem tem que mexer as peças e adaptar o nosso jogo a esta realidade é o selecionador, que realmente não tem feito um bom trabalho. É ele que tem que colocar os artistas ao serviço do coletivo e perceber como pode rentabilizar o jogo de Ronaldo. Mas para isso, não tem tido arte! Acho que a principal falha tem sido essa, agravada com o discurso barroco das conferências de imprensa, em que Martinez nos vêm atirar areia para os olhos, dizendo que a Seleção joga muito bem! O pior cego é o que não quer ver e as evidências estão ai!

Como sempre tem acontecido, cá estamos nós, com o coração nas mãos, à espera de milagres, que raramente acontecem! Temos que ser mais humildes e não fomentar tanto excesso de confiança, o que só nos prejudica. Ainda vamos a tempo de chegar longe, mas temos que pôr os pés no chão e ter a consciência de que mais vale querer que poder!

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