O Município de Évora assegurou que o financiamento e a atividade do Centro Dramático de Évora (CENDREV) não estão em risco, reagindo às preocupações manifestadas pela direção da companhia teatral em conferência de imprensa. Em comunicado oficial, a autarquia explicou que o corte de 22% na verba destinada ao CENDREV para 2026 não se trata de uma medida isolada, mas sim da implementação de um novo modelo de distribuição de fundos que visa reformular o regulamento de apoio cultural em vigor desde 2011. Este processo de revisão será feito em conjunto com os dinamizadores culturais locais, mantendo-se a garantia de que o orçamento global do município para o setor da cultura não sofrerá qualquer redução face ao ano anterior.
A câmara municipal destacou que o suporte ao CENDREV vai muito além da verba direta. Como termo de comparação, em 2025, além dos 87 mil euros transferidos diretamente, o município assumiu cerca de 530 mil euros em despesas operacionais do Teatro Garcia de Resende e da própria companhia — incluindo custos com pessoal, eletricidade, água, seguros e promoção —, aos quais se somaram 200 mil euros cofinanciados através de uma candidatura à Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses. No total, o investimento autárquico ultrapassou os 800 mil euros. O executivo apontou ainda que, no mesmo ano, a bilheteira gerou cerca de 14 mil euros, retendo a companhia 94% desse valor, o que, segundo o município, demonstra que existe espaço para potenciar a angariação de público e aumentar as receitas próprias sem que isso signifique abdicar do financiamento público.
Reafirmando o valor histórico e a relevância cultural da companhia, a autarquia agendou uma reunião com o CENDREV para a próxima semana para debater soluções e rever o protocolo de utilização do Teatro Garcia de Resende. Esta reestruturação integra-se numa estratégia cultural mais ampla e equitativa, desenhada para apoiar não só o CENDREV, mas também outras associações e agentes da região que não beneficiam de instalações municipais ou de fundos da Direção-Geral das Artes (DGArtes). O objetivo final do Município de Évora passa por garantir critérios de total transparência e equidade na atribuição dos subsídios, assegurando a sustentabilidade cultural do concelho a longo prazo.
Na capa Carmen Carvalheira, vereadora da cultura.
