O Instituto Politécnico de Portalegre (IPP) está a implementar o projeto “ProExtensivo”, que pretende impulsionar e modernizar as explorações pecuárias do Alentejo em regime extensivo. A iniciativa, financiada pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), representa um investimento global superior a 141 mil euros, dos quais mais de 120 mil euros foram atribuídos ao IPP.
Segundo Noémia Farinha, docente da Escola Superior de Biociências de Elvas, o projeto irá transferir para as empresas do setor uma “tecnologia de cálculo de extensividade” já desenvolvida para todo o país, mas agora adaptada à realidade alentejana. A ferramenta permitirá medir o grau de extensividade das explorações pecuárias, identificar áreas de melhoria e apoiar decisões estratégicas.
A iniciativa nasceu no âmbito do Centro de Competência do Pastoreio Extensivo (CCPE), uma plataforma colaborativa que reúne instituições de ensino superior, associações de produtores e entidades públicas e privadas ligadas ao setor. O CCPE tem como objetivo promover a inovação, a sustentabilidade e a valorização do pastoreio extensivo em Portugal, funcionando como espaço de partilha de conhecimento técnico e científico entre diferentes agentes.
O projeto prevê diagnóstico técnico, formação, ações de demonstração e criação de ferramentas digitais, incluindo uma plataforma para avaliação de dados das explorações. Serão inquiridos 100 produtores pecuários para aferir práticas atuais e sensibilizar para as vantagens ambientais e sociais do pastoreio extensivo, como a biodiversidade e a fixação de população no meio rural.
O pastoreio extensivo assume especial importância no Alentejo, onde ocupa uma parte significativa do território, sobretudo nas áreas de montado. Este sistema de produção é fundamental para a economia local ligada à carne bovina e ovina de qualidade certificada, como a carne de bovino Alentejana DOP, e para a valorização dos ecossistemas. Para além do contributo económico, é considerado um modelo resiliente às alterações climáticas e essencial para o equilíbrio ambiental e a prevenção da desertificação.
A implementação plena do “ProExtensivo” está prevista para o final de 2026/início de 2027, sendo expectável que o projeto crie uma rede de explorações modelo que possa servir de referência para todo o território nacional.
