A Universidade de Évora está a liderar um esforço científico internacional para devolver a liberdade ao rio Erges, eliminando barreiras obsoletas e protegendo espécies em vias de extinção através de um projeto ibérico de engenharia ecológica.
A Universidade de Évora (UÉ) assumiu um papel central no projeto europeu LIFE Alnus Taejo, uma cooperação transfronteiriça dedicada à reabilitação ambiental da bacia hidrográfica do Tejo. Sob a coordenação científica de Sílvia Ribeiro, investigadora do Instituto Mediterrâneo para Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED) da UÉ, arrancaram no final de julho os trabalhos de desmantelamento de dois antigos açudes desativados na zona de Idanha-a-Nova, junto à histórica ponte romana de Segura. Estas duas estruturas representavam os únicos bloqueios artificiais num troço fluvial com cerca de 70 quilómetros. A sua remoção vai permitir restabelecer o fluxo natural da água e o transporte de sedimentos, restabelecendo a continuidade ecológica entre o rio Erges e o rio Tejo.
A importância desta intervenção ganhou ainda maior relevo com a descoberta recente, por técnicos espanhóis, de exemplares de verdemã-do-Alagón nas águas do Erges. Esta espécie de peixe, endémica da Península Ibérica, encontra-se sob forte ameaça de extinção e revela-se extremamente vulnerável à fragmentação dos rios e às alterações do leito. A eliminação destas barreiras vai beneficiar diretamente a circulação desta e de outras comunidades aquáticas ao longo de toda a rede de afluentes da região.
Para garantir o sucesso dos trabalhos, a academia alentejana uniu esforços com a Universidade Politécnica de Madrid e com as empresas especializadas Ambienta e EcoSalix.
O plano de ação foi antecedido por longos meses de estudos de impacto que avaliaram a hidrologia, a flora e a avifauna locais, incluindo visitas técnicas iniciadas no ano passado para assegurar o consenso entre as administrações públicas de Portugal e Espanha. O projeto final de engenharia consegue o duplo objetivo de reabilitar o ecossistema fluvial e salvaguardar o património histórico edificado, mantendo os antigos moinhos que estavam ligados aos açudes e garantindo um canal aberto de comunicação com os proprietários dos terrenos vizinhos.
