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Sociedade

DESPOVOAMENTO: NINGUÉM PENSA NO PRESENTE DE UMA FORMA REALISTA

Nasceu em Lisboa, tem 43 anos, é pai de três filhos e formado nas áreas da comunicação e empreendedorismo social. Falamos de Frederico Lucas, empreendedor social na área da competitividade territorial e orador motivacional de empreendedorismo. É Diretor Executivo da APMRA – Associação Portuguesa de Marketing Rural e Agronegócio e Coordenador do Programa Novos Povoadores, um programa que traz para o interior gente altamente qualificada que aí se instala com as suas famílias e aí lança novos negócios, com ganho para todos. O Frederico Lucas esteve em Évora recentemente para a Conferência será o despovoamento do interior uma inevitabilidade?, uma iniciativa da Alentejo de Excelência. Aproveitámos então para saber um pouco mais dele e dos Novos Povoadores.

Tribuna Alentejo: Como surgiu a ideia dos Novos Povoadores? Com o tempo que o projecto leva já é possível fazer um balanço?

Frederico Lucas: O projecto surgiu como resposta à ineficácia dos instrumentos existentes em 2005, e ainda hoje em vigor. Neste momento o programa tem inscritas 1934 famílias. Dessas, já migraram 147. Foram criadas em território rural 149 empresas que geram uma facturação anual de 6 milhões de euros.

 

Tribuna Alentejo: Que barreiras sente existirem à sua implementação?

Frederico Lucas: Falta Presente aos territórios rurais, Há um Passado associado à agricultura e um futuro imaginário definido pela hiper infraestruturação com equipamentos sociais.

Ninguém pensa no Presente de uma forma realista, isto é, como é que estes territórios serão capazes de gerar valor suficiente para comportar a manutenção ou mesmo o crescimento demográfico.

 

Tribuna Alentejo: A concentração de pessoas em hipercidades não é uma inevitabilidade?

Frederico Lucas: As atuais politicas contribuem para esse fenómeno. Mas as hipercidades estão esgotadas, pelo que a população com maior autonomia começa a sair dos centros, como já acontece no Reino Unido.

 

Tribuna Alentejo: Viver no interior é um luxo?

Frederico Lucas: É um luxo viver no interior. Mas preferia que ficasse em segredo. Porque precisamos de dizer que é muito triste para que o Governo Central continue a aumentar as transferências monetárias em nome da solidariedade.

 

Tribuna Alentejo: Como se pode pedir às pessoas que construam a sua vida em locais com poucas oportunidades?

Frederico Lucas: Em todo o mundo existem pessoas que constroem oportunidades. São essas que precisamos no interior português.

 

Tribuna Alentejo: O despovoamento é um problema político para o qual não há respostas políticas?

Frederico Lucas: As políticas para o combate ao despovoamento precisam de ser ajustadas. Se o interior precisa de gente capaz de gerar elevado valor, as políticas de captação têm de estar à altura daquilo que é preconizado por outros países para a captação desses talentos.

Se o interior precisa de empreendedores capazes de gerar emprego qualificado, com niveis de produção anual por trabalhador acima dos 60.000 euros, não são subsídios à renda ou à natalidade que respondem aos anseios destes empresários.

 

Imagem de capa de www.novospovoadores.pt

 

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