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Porto de Sines prepara expansão de cais para carga militar

A Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS) planeia construir um novo cais de carga geral em Sines para aumentar a capacidade do porto e atrair novos tipos de mercadorias. O projeto, detalhado no estudo de impacte ambiental, foi desenhado com uma lógica de utilização dual. Isto significa que a infraestrutura servirá a economia civil, mas estará preparada para apoiar operações pontuais de mobilidade militar, sem se tornar uma base militar fixa.
O futuro terminal terá múltiplas valências comerciais e industriais. A infraestrutura vai servir de base logística para o setor das energias renováveis no mar, com foco na eólica flutuante, além de movimentar produtos agroalimentares e veículos através de um sistema de carga Ro-Ro. Para garantir o escoamento eficiente das mercadorias, o cais terá uma ligação ferroviária própria através de um novo ramal. Embora a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tenha solicitado dados sobre o impacto no tráfego de camiões, comboios e carros, a APS esclareceu que ainda não existem estimativas exatas devido ao facto de o uso final do terminal não estar totalmente fechado.
Paralelamente, a APS está a tentar licenciar o prolongamento do Molhe Leste para proteger os barcos das ondas. A administração portuária esclareceu à APA que o novo cais pode ser construído e funcionar de forma independente caso as obras do molhe não avancem. Contudo, a falta dessa extensão deixará o cais mais exposto à agitação marítima, o que poderá obrigar à paragem frequente das operações em dias de tempestade.
A necessidade de melhorar a proteção do porto ganhou urgência devido às alterações do clima nos últimos anos. Historicamente, Sines encerrava apenas seis a sete dias por ano devido ao mau tempo. No entanto, o ano de 2025 foi excecionalmente problemático, registando 26 dias de paragens totais ou parciais provocadas por correntes e ondulações invulgares de sul e oeste. A tendência manteve-se em 2026, ano que já contabilizou 19 dias de interrupção na atividade, forçando a administração a avançar com soluções para proteger a resiliência das operações.
Apesar dos desafios meteorológicos, o porto continua a registar um crescimento robusto no negócio de mercadorias. O Terminal XXI, gerido pela PSA Sines, atingiu um recorde histórico em julho de 2026 ao movimentar mais de 189 mil TEU (contentores de 20 pés). Este volume superou o máximo anterior de julho de 2025 e fixou o melhor resultado mensal de sempre desde que o terminal de contentores começou a operar no ano de 2004.

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