A deposição de lamas em terrenos agrícolas está a gerar uma forte vaga de indignação em Castro Verde, motivada pelo odor insuportável e por verdadeiras nuvens de moscas que assolam uma vasta área do município. Segundo a autarquia local, esta prática repetiu-se pelo segundo ano consecutivo, provocando consequências graves e inadmissíveis no quotidiano e no bem-estar dos habitantes da região.
Para tentar travar o problema, o município avançou com uma queixa formal junto da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo), detalhando os prejuízos ambientais e de saúde pública em curso. O caso escalou também para o panorama nacional, levando a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, a exigir esclarecimentos urgentes à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e à própria CCDR Alentejo sobre as fiscalizações e medidas já implementadas para mitigar o surto de insetos e o mau cheiro que afetam não só Castro Verde, mas também o concelho vizinho de Mértola.
Em declarações à Rádio Castrense, o líder do executivo camarário, António José Brito, garantiu que a autarquia recusa tolerar o cenário atual e exige mão firme das entidades competentes. O autarca apelou a uma intervenção imediata para pôr fim à situação, insistindo na necessidade de responsabilizar os autores e de adotar soluções definitivas que devolvam a tranquilidade às populações afetadas.
As lamas em causa são lamas de depuração, resíduos biológicos que resultam do processo de tratamento de águas residuais urbanas ou industriais em Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR). Embora a sua aplicação em terrenos agrícolas seja uma prática legal e comum, servindo como fertilizante ou corretivo orgânico devido à elevada riqueza em nutrientes e matéria orgânica, a sua incorreta gestão no terreno desencadeia graves problemas ambientais. O cenário de crise em Castro Verde ocorre porque estas lamas têm sido depositadas e acumuladas ao ar livre sem uma incorporação ou enterramento imediato no solo. Esta exposição direta aos elementos acelera o processo de fermentação e decomposição do material, o que não só liberta os odores intensos e insuportáveis reportados pela autarquia, como também transforma os terrenos agrícolas num habitat perfeito para a reprodução massiva de insetos, resultando nas densas nuvens de moscas que agora assolam e perturbam o quotidiano das populações locais.
