A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo e a EDIA encontram-se esta terça-feira, 8 de setembro, para explorar a possibilidade de fundos europeus virem a financiar a realização de uma análise aprofundada sobre o potencial transvaze de água do rio Tejo para a bacia do Guadiana. A intenção foi partilhada pelo líder da CCDR Alentejo, Ricardo Pinheiro, no decorrer da abertura da Feira da Luz/Expomor, em Montemor-o-Novo. Entre os cenários em cima da mesa, equaciona-se o desvio de aproximadamente 150 hectómetros cúbicos de água, um volume que tornaria possível alargar o regadio do Alqueva a mais de 50 mil novos hectares.
Mais do que validar aspetos de engenharia, a investigação planeada pretende mensurar as consequências económicas deste investimento nas diferentes sub-regiões alentejanas. Ricardo Pinheiro sublinhou que a meta passa por mapear onde poderão nascer ou crescer novos perímetros agrícolas e quais as produções agrícolas mais beneficiadas. Sob a liderança da CCDR Alentejo, este plano procura envolver diversos parceiros institucionais para robustecer a segurança hídrica regional, que além do setor agrícola visa salvaguardar o consumo humano e as necessidades do tecido industrial local. A sessão de hoje servirá para estruturar as bases deste projeto e delinear o acesso aos apoios comunitários.
Embora a interligação entre estas duas bacias hidrográficas tenha sido debatida e descartada várias vezes ao longo do século passado, o cenário contemporâneo é substancialmente diferente. A urgência climática agravou os episódios de seca severa no sul do país, ao mesmo tempo que a procura de água no Alqueva disparou devido ao crescimento do regadio. Esta realidade levou a que o estudo da viabilidade técnica da ligação fosse incluído na estratégia governamental “Água que Une”, validada em 2025.
Apesar do interesse institucional, a medida recolhe fortes reticências. As transferências interbacias geram habitualmente tensões territoriais entre as regiões que fornecem e as que recebem o recurso, dadas as elevadas repercussões ecológicas e financeiras. Entidades ambientalistas, como a associação ZERO, têm vindo a alertar que o aumento ininterrupto das áreas regadas pode esgotar a reserva de segurança que a albufeira do Alqueva devia assegurar a longo prazo. Importa salientar que, nesta fase, não há qualquer luz verde para o arranque das obras. O processo foca-se exclusivamente em assegurar verbas para um diagnóstico exaustivo que clarifique os custos envolvidos, os impactos reais e a viabilidade de uma infraestrutura crucial para o futuro da gestão da água no Alentejo.
Imagem de capa: Ricardo Pinheiro, Presidente da CCDR Alentejo.
