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Sociedade

Universidade Politécnica de Portalegre lidera novo estudo sobre os bloqueios à integração dos ciganos no Alentejo

A Universidade Politécnica de Portalegre está a liderar um novo projeto estrutural focado em transformar a realidade socioeconómica das populações ciganas na região alentejana. Denominada “Bridges – Construindo Pontes para o Empoderamento das Comunidades Ciganas no Alentejo”, a iniciativa ganha especial relevância quando contextualizada com as dinâmicas demográficas recentes.
Embora os censos nacionais enfrentem desafios na monitorização étnica precisa, estimativas nacionais apontam para mais de 70 mil cidadãos ciganos em Portugal, sendo que mapeamentos regionais detalhados indicam que só no distrito de Beja (Baixo Alentejo) residem mais de 3.600 pessoas de etnia cigana, representando cerca de 2,4% da população local e enfrentando assimetrias severas no acesso à habitação e ao trabalho estável.
Coordenada pela professora Márcia Oliveira, a investigação estende-se até setembro de 2027 e propõe-se a analisar minuciosamente os principais entraves que bloqueiam a integração profissional e habitacional destas comunidades. O estudo irá debruçar-se sobre fenómenos de discriminação e mapear as carências em termos de qualificações profissionais, procurando desenhar respostas que combatam as desigualdades económicas crónicas enfrentadas por este grupo.
A estratégia assenta numa metodologia participativa que convoca diversos agentes locais e decisores da região. O objetivo prático passa por conceber pacotes de formação à medida e novos incentivos que mobilizem tanto os trabalhadores ciganos como o tecido empresarial empregador. O resultado de maior impacto será a publicação de um Livro Branco, projetado para servir de guia na criação de políticas públicas que protejam a igualdade de oportunidades e combatam a exclusão de forma sistémica.
Para concretizar este plano de ação, o projeto dispõe de um orçamento global elegível de 87.335,40€. Este investimento é assegurado em 85% por fundos comunitários do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), mobilizados através do Programa Regional do Alentejo (ALT2030), promovendo a cooperação em rede para construir soluções de empregabilidade mais justas no interior do país.

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