A produção vitivinícola do Alentejo alcançou um novo marco ambiental, com mais de 35% de todo o vinho da região a receber a certificação de sustentabilidade. Este avanço foi impulsionado pelo Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo (PSVA), desenvolvido pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), que atingiu recentemente o número histórico de 30 produtores certificados.
Ainda assim e com mais de 10 anos com que conta o programa de certificação, é difícil não olhar para o copo meio cheio, já que mais de 60% do vinho produzido no Alentejo não tem esta certificação.
A marca redonda dos 30 produtores certificados foi consolidada com a integração da produtora Ervideira, localizada em Reguengos de Monsaraz, que garantiu o selo de conformidade ecológica, social e económica após uma auditoria rigorosa com validade até 2031.
Com esta nova adesão, a rede de produtores certificados passa a gerir mais de 5.750 hectares de vinha, o que equivale a mais de um quarto da área total cultivada no Alentejo. Em termos de volume, isto significa que mais de um terço da produção global da região — estimada em cerca de 87 milhões de litros de vinho — é agora elaborada sob exigentes critérios de preservação ambiental. O coordenador do PSVA, João Barroso, sublinhou que este resultado comprova que a sustentabilidade se tornou uma mudança estrutural na região, afetando positivamente desde a gestão da água e energia até à biodiversidade e à qualidade final do produto.
Por sua vez, o presidente da CVRA, Luís Sequeira, apontou o Alentejo como uma referência global e um exemplo único de massa crítica em Portugal neste domínio. Criado originalmente em 2013, o programa pioneiro exige o cumprimento anual de 171 critérios severos auditados por entidades externas independentes.
