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Série de animação leva histórias do Alentejo ao mundo

Uma nova série portuguesa de animação vai revisitar cerca de seis mil anos de história e memória do Alentejo através de nove episódios, num projeto com um orçamento próximo de 1,4 milhões de euros que terá estreia prevista para 2027, no âmbito de Évora Capital Europeia da Cultura.

Intitulada “Estórias Submersas do Alentejo”, a minissérie é produzida pelas empresas alentejanas Praça Filmes e Estórias em Movimento e reúne mais de 20 autores e artistas. Entre os nomes envolvidos estão o escritor moçambicano Mia Couto, o angolano José Eduardo Agualusa, o músico Rodrigo Leão e o cantor alentejano Janita Salomé.

O projeto tem curadoria da produtora Ana Carina Estróia, do realizador José Miguel Ribeiro e do programador Fernando Galrito.

A série será composta por nove episódios de aproximadamente sete minutos, cada um com identidade própria e concebido de forma autónoma, à semelhança de uma curta-metragem.

O processo criativo envolve realizadores, escritores, músicos, uma coreógrafa, um chef e habitantes do Alentejo, contando ainda com contributos de especialistas ligados a áreas como Biologia, Arqueologia e História.

Cada episódio resulta de uma residência artística dos respetivos criadores. Segundo a equipa do projeto, já foram realizadas quatro residências, seguindo-se a fase de produção e animação das diferentes histórias.

O território alentejano constitui o elemento comum às nove narrativas, que percorrem diferentes períodos e dimensões da região.

Entre os temas abordados estão o Neolítico, os menires e antas, o montado, a emigração e imigração, o cante, a água e os seus ciclos e as memórias associadas às aldeias submersas pela construção da barragem de Alqueva.

Fernando Galrito explica que o projeto procura acompanhar diferentes momentos da história regional, desde o Neolítico até à atualidade e às transformações que poderão marcar o futuro do Alentejo.

O próprio título da série remete para essa ideia de recuperar histórias associadas à água e à terra, mas também memórias que ficaram fora das narrativas mais conhecidas sobre a região.

José Miguel Ribeiro destaca a importância de colocar os autores de animação em contacto com criadores de outras áreas artísticas e com diferentes comunidades.

A ideia passa por desenvolver um processo baseado na escuta e no diálogo, permitindo que diferentes perspetivas sobre o Alentejo contribuam para a construção das histórias.

A participação de autores estrangeiros pretende também introduzir outros olhares sobre a região. Entre os criadores estão Mia Couto e José Eduardo Agualusa, escritores ligados ao espaço lusófono, ao lado de artistas portugueses de diferentes áreas.

“Estórias Submersas do Alentejo” resulta de um convite feito pela equipa responsável pela candidatura de Évora a Capital Europeia da Cultura 2027 e recupera uma ideia que a Praça Filmes vinha desenvolvendo há vários anos.

Com um orçamento próximo de 1,4 milhões de euros, a produção é apresentada como uma iniciativa integralmente portuguesa e tem estreia prevista para o final de 2027.

Depois da estreia no âmbito de Évora 2027, os responsáveis pelo projeto apontam também para a circulação da série em circuitos de exibição e festivais.

A produção pretende, desta forma, colocar diferentes histórias, memórias e perspetivas sobre o Alentejo num formato de animação com potencial de circulação para além da região, associando criação artística contemporânea à memória e ao património alentejanos.

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