No Dia Nacional da Água, que foi celebrado ontem, 1 de outubro, o documentário «Onde está a água?» — uma coprodução entre a Fundação e a RTP — lança um alerta crucial sobre a gestão dos recursos hídricos num momento em que Portugal enfrenta uma vulnerabilidade crescente à seca e à escassez. Embora este recurso vital cubra a maior parte do globo, a percentagem acessível para o consumo humano é de apenas 1%, uma realidade que contrasta com a elevada procura do país, que consome todos os anos mais de 4 mil hectómetros cúbicos de água, um volume que supera a capacidade total da barragem do Alqueva.
O panorama de stress hídrico atual exige uma reflexão urgente, uma vez que a administração da água molda diretamente o futuro ecológico, social e económico do país, restando saber se a sociedade e os decisores políticos conseguirão transformar a tempo os seus hábitos de consumo antes que o impacto seja irreversível.
A pressão sobre os recursos hídricos nacionais não se distribui de forma igual, recaindo a maior fatia sobre o setor agrícola e pecuário, que é responsável por cerca de 75% do consumo total de água em Portugal. De acordo com dados de estudos promovidos pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), este peso elevado deve-se sobretudo à expansão das culturas de regadio. Muito atrás da atividade agropecuária surge o consumo urbano (abastecimento público para habitações e comércio), que representa a segunda maior pressão com valores que oscilam entre os 13% e os 19%, seguido pelo setor industrial com cerca de 5% e pelo turismo, que absorve menos de 1% do volume total anual.
