O ambicioso projeto para criar o maior centro de cultivo de canábis medicinal da Europa, na Herdade da Gravia Grande, em Beja, terminou em colapso financeiro absoluto. O leilão público dos escassos bens restantes da Symtomax, avaliados num valor base de apenas 17.500 euros, ficou completamente deserto no início de outubro de 2026. O desfecho deixa o Estado e os restantes credores sem qualquer hipótese de recuperar fundos, numa falência que gerou um buraco financeiro de 8,5 milhões de euros. Apesar de ter consumido milhões de euros de investidores ao longo dos anos, a empresa nunca chegou a iniciar qualquer atividade produtiva efetiva na região alentejana.
Diante do cenário de aparente esvaziamento patrimonial, o Ministério Público e a administração judicial decidiram avançar com um pedido de insolvência culposa contra os principais responsáveis executivos da firma, o britânico Paul Nathan Segal e o neerlandês Olaf Van Tulder. A acusação sustenta que os gerentes foram responsáveis por uma gestão danosa que destruiu o capital injetado e agravou intencionalmente a situação de rutura. Importa recordar que a estrutura consultiva da Symtomax chegou a integrar Eurico Castro Alves, antigo Secretário de Estado da Saúde e ex-presidente do Infarmed, embora o foco da responsabilização jurídica recaia agora diretamente sobre os dois gestores estrangeiros.
