A concessionária ANA – Aeroportos de Portugal planeia canalizar três milhões de euros para o terminal civil de Beja até ao ano de 2028. Esta verba faz parte de um pacote financeiro global de 687 milhões de euros destinado à modernização dos dez aeroportos nacionais geridos pela empresa ao longo de um triénio. A estratégia desenhada prevê um crescimento anual sustentado nas aplicações de capital, arrancando com 165 milhões de euros no primeiro ano, progredindo para 215 milhões no ano seguinte e culminando com 307 milhões no último ano do ciclo.
Como seria de esperar, a fatia leão do orçamento está reservada para a infraestrutura aeroportuária de Lisboa, que vai absorver 388 milhões de euros, o equivalente a mais de metade do bolo total. Logo atrás posicionam-se os aeroportos do Porto, com 80 milhões, e dos Açores, com 78 milhões. As instalações de Faro e da Madeira vão contar com 63 e 57 milhões de euros, respetivamente. O montante mais modesto alocado à pista alentejana realça a estratégia da operadora em privilegiar as localizações com fluxos de tráfego significativamente superiores.
Apesar da assimetria nos valores, o reforço financeiro em Beja surge numa fase de consolidação da pista alentejana, impulsionada pelo crescimento na movimentação de passageiros, transporte de mercadorias e rotas de caráter temporário. No entanto, os representantes políticos da região e os governantes locais continuam a alertar que o sucesso deste investimento está fortemente dependente da modernização das redes de transporte terrestres. As exigências regionais focam-se na concretização dos eixos rodoviários previstos para o IP8/A26 e na otimização da Linha do Alentejo, passos considerados vitais para atrair companhias aéreas regulares, expandir o raio de atração do aeroporto e acabar com a dependência exclusiva de voos pontuais ou charters.
Para contextualizar o atual esforço financeiro, importa notar que a ANA tinha fechado o ano anterior com uma despesa global de 128 milhões de euros. O novo plano de expansão sinaliza uma forte aceleração institucional, projetando taxas de crescimento anual na ordem dos 25%, num plano orçamental que deixa deliberadamente de fora os custos associados à segurança aeroportuária, ao apoio a viajantes com mobilidade condicionada e aos negócios não relacionados com a aviação pura.
