A costa de Grândola volta a estar no centro das atenções das autoridades após a descoberta de 580 quilos de droga numa praia da região neste dia 2 de outubro de 2026. Embora os detalhes oficiais ainda sejam escassos, as características da apreensão — tanto pelo volume expressivo como pela localização — apontam fortemente para fardos de haxixe ou cocaína descarregados através de lanchas rápidas, vulgarmente conhecidas como narcolanchas.
Este episódio reforça a tendência de Grândola e da Comporta se terem transformado num verdadeiro hotspot para o narcotráfico internacional. Há apenas duas semanas, o semanário Expresso noticiava, com base em fontes policiais, que a Comporta é atualmente um dos eixos mais críticos para o desembarque de cocaína em território nacional, beneficiando de uma extensão contínua de 45 quilómetros de areais praticamente desertos que ligam Tróia a Melides, abrangendo praias emblemáticas como o Carvalhal, o Pego e a Galé. O fenómeno não é isolado: no final de julho, uma operação conjunta que envolveu a Polícia Marítima, os Fuzileiros e a Polícia Judiciária resultou na apreensão de 2,1 toneladas de cocaína, com jerricans de combustível espalhados pela costa a sul de Tróia.
O modus operandi destas redes criminosas passa frequentemente por largar os fardos em pleno mar, deixando que as correntes marítimas os arrastem até à areia. Perante este cenário, as autoridades alertam os cidadãos que frequentam estas praias para que, caso detetem pacotes suspeitos, contactem imediatamente a Polícia Marítima ou a GNR e evitem qualquer manuseamento. Além do risco de os carregamentos estarem sob vigilância de elementos das redes de tráfico, os jerricans de combustível que frequentemente os acompanham representam um perigo acrescido devido à sua elevada inflamabilidade.
