O projeto “Aldeia Amiga das Andorinhas”, desenvolvido a partir de Ervidel, no concelho de Aljustrel, está a associar a observação e registo de aves à preservação de memórias, histórias e modos de vida das comunidades alentejanas.
Dinamizada por Sónia Santana Sacramento, a iniciativa nasceu da preocupação com a proteção dos ninhos de andorinhas e andorinhões, mas foi progressivamente alargando a sua atividade à observação de outras espécies presentes ou de passagem pelo território.
Atualmente, o projeto acompanha diferentes aves, incluindo abetardas e tartaranhões, procurando documentar a sua presença, movimentos e utilização dos habitats existentes nesta zona do Baixo Alentejo.
Os registos permitem reunir informação sobre os períodos em que determinadas espécies são observadas e sobre os locais utilizados para alimentação, repouso ou reprodução. Parte das observações é posteriormente comunicada a entidades e plataformas relacionadas com o estudo e a conservação das aves.
Entre estas encontram-se o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Central Nacional de Anilhagem/CEMPA, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), a European Colour-Ring Birding, o Projeto Andorin, da Associação Vita Nativa, e a plataforma internacional eBird.
Desta forma, os registos realizados localmente podem integrar bases de informação mais abrangentes e contribuir para o conhecimento da distribuição e movimentação das espécies.
Das aves às memórias das aldeias
Uma das vertentes do “Aldeia Amiga das Andorinhas” passa também pela recolha e divulgação de testemunhos relacionados com as aves, os campos e as comunidades rurais.
Através das histórias partilhadas por habitantes e nas redes sociais do projeto, a iniciativa procura recuperar memórias sobre a relação das populações com a paisagem e com a fauna que tradicionalmente acompanha a vida nas aldeias alentejanas.
As andorinhas, por exemplo, surgem associadas não apenas à biodiversidade, mas também às casas e ruas das povoações, às mudanças das estações e às atividades agrícolas. O projeto procura utilizar estas ligações como ponto de partida para preservar testemunhos sobre costumes e modos de vida de outras gerações.
A componente ambiental cruza-se, assim, com a preservação do património imaterial, reunindo informação sobre as aves e, simultaneamente, histórias das pessoas que vivem ou viveram no território.
ALMINA apoia equipamento de observação
O projeto conta com o apoio da ALMINA – Minas do Alentejo, que tem contribuído para disponibilizar equipamento utilizado nas observações e nos registos efetuados no terreno.
Segundo Sónia Santana Sacramento, alguns destes equipamentos são importantes para conseguir identificar aves a grandes distâncias e recolher informação, nomeadamente através da leitura das anilhas utilizadas na identificação individual de exemplares.
“Há pormenores que fazem toda a diferença: por exemplo, conseguir ler o número de uma anilha numa ave que está do outro lado da margem só é possível com objetivas de grande alcance”, explica a responsável pelo projeto, salientando o apoio recebido na disponibilização de câmaras e lentes.
A iniciativa desenvolvida em Ervidel procura, desta forma, conjugar observação da avifauna, sensibilização ambiental e recolha da memória das comunidades, tendo como território de referência Aljustrel e a paisagem do Baixo Alentejo.
