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Produção de amêndoa deve bater recorde com quase 115 mil toneladas em 2026

A produção nacional de amêndoa deverá atingir 114.900 toneladas com casca em 2026, o que representa um aumento de 39% face à campanha anterior e um novo recorde para o setor. A estimativa, divulgada pela Portugal Nuts em parceria com a empresa Demeter, corresponde a cerca de 34.470 toneladas de amêndoa em miolo.

A previsão resulta do primeiro modelo nacional desenvolvido pela Demeter especificamente para a produção de amêndoa. A metodologia considera a área e a idade dos pomares, a disponibilidade de água, as condições meteorológicas e o estado das culturas, sendo calibrada com base nos dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE). Para 2026, a área de amendoais em idade produtiva é estimada em 65.300 hectares, dos quais cerca de 30 mil hectares correspondem a pomares modernos de regadio.

A previsão situa a produção dentro de um intervalo entre 103 mil e 127 mil toneladas com casca, refletindo a margem de incerteza associada ao modelo. Em 2025, os dados provisórios do INE apontam para uma produção de 82.700 toneladas com casca. A evolução prevista para este ano representa, assim, um aumento de aproximadamente 32.200 toneladas.

O Alentejo tem assumido um papel central neste crescimento. Segundo os dados do INE relativos a 2024, a região produziu 62.732 toneladas de amêndoa, cerca de 69% do total nacional, numa área de 32.480 hectares. O aumento da produção tem sido associado sobretudo à entrada em produção de novos pomares, muitos deles de caráter intensivo e superintensivo.

A campanha de 2026 arrancou em meados de agosto e deverá prolongar-se até meados de outubro. A Portugal Nuts assinala uma melhoria do rendimento e da qualidade da produção, num contexto em que os preços também têm evoluído favoravelmente para os produtores. A associação reconhece, contudo, que a rápida expansão da cultura obrigou o setor a adaptar conhecimentos técnicos e operacionais às condições nacionais.

O crescimento da produção tem sido acompanhado pelo desenvolvimento da transformação industrial, nomeadamente no Alentejo. Em Beja, uma visita recente do ministro da Agricultura à empresa Almiberia colocou em destaque a importância do descasque e transformação dos frutos de casca rija para acrescentar valor à produção e reforçar a atividade agroindustrial no território.

A fileira apresenta também uma crescente dimensão exportadora. Em 2025, as exportações portuguesas de frutos secos ultrapassaram os 156 milhões de euros, enquanto as exportações de amêndoa atingiram 115,45 milhões de euros, mais 16% do que no ano anterior. Portugal é atualmente apontado como o segundo maior produtor de amêndoa da União Europeia.

Apesar da evolução positiva, o setor identifica desafios relacionados com os custos de produção, a disponibilidade de água, as alterações climáticas e a necessidade de encontrar soluções para pragas e doenças. A Portugal Nuts defende, por isso, maior investimento em investigação, inovação e conhecimento técnico, procurando consolidar o crescimento da produção sem comprometer a sustentabilidade económica da atividade.

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