A associação ambientalista Quercus manifestou-se contra a construção de um novo parque eólico projetado para os municípios de Odemira e Ourique. A organização emitiu um parecer negativo à instalação de 22 aerogeradores de grande porte, promovidos pela Galp para complementar a produção de energia solar da região. Segundo os ambientalistas, a proposta subavalia os danos na fauna e na flora locais, além de prejudicar o bem-estar das comunidades residentes.
O projeto, denominado “Parque Eólico do Mira”, está em fase de consulta pública para a definição do Estudo de Impacte Ambiental. A Quercus aponta que parte das torres planeadas para Ourique viola as regras urbanísticas locais vigentes, que proíbem novos projetos de renováveis nessas zonas. Há ainda sobreposições ilegais com solos de Reserva Agrícola Nacional e Reserva Ecológica Nacional.
Ao nível do ecossistema, o empreendimento localiza-se perto de três áreas protegidas, incluindo a Zona de Proteção Especial de Castro Verde, e corta um importante corredor ecológico. A abertura de estradas e plataformas para as obras exigirá o abate de sobreiros e azinheiras, espécies protegidas por lei, agravando os problemas de erosão e desertificação do Alentejo. A associação alerta também para o facto de a grande dimensão das torres de vento — que podem atingir os 200 metros de altura — criar uma barreira física que fragmenta o habitat de morcegos, aves de rapina e aves estepárias. Adicionalmente, faltam estudos prévios sobre as rotas migratórias destes animais no documento apresentado.
A geografia do terreno também preocupa a organização, uma vez que a maioria dos aerogeradores ficará concentrada em zonas serranas de Odemira, marcadas por declives acentuados e cabeceiras de linhas de água. Os trabalhos de terraplanagem podem colocar em risco os recursos hídricos das bacias dos rios Mira e Sado. Por fim, os moradores locais têm demonstrado forte oposição através de uma petição pública, contestando o impacto visual, o ruído de baixa frequência e o efeito de piscar de sombras causado pelas pás das turbinas. Para avançar, a Quercus exige uma reformulação profunda do plano, com a exclusão de áreas interditas, a monitorização rigorosa das aves e uma avaliação conjunta de todos os impactos das centrais elétricas num raio de 15 quilómetros.
