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Internacional

Brasil vai à segunda volta nas eleições presidenciais com Flávio Bolsonaro à frente de Lula da Silva. Direita avança no Senado e Congresso Nacional

O apuramento oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desenhou um novo mapa de poder no Brasil após a histórica votação deste domingo. O andamento da contagem confirmou o cenário de equilíbrio na corrida presidencial, levando Flávio Bolsonaro (PL), com 47,03% dos votos válidos, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 45,16%, para a disputa de uma segunda volta agendada para 25 de outubro Folha de S.Paulo. Paralelamente ao Palácio do Planalto, as eleições legislativas ditaram uma forte inclinação à direita e ao centro no Congresso Nacional, o que irá redefinir profundamente o equilíbrio de forças da governação federal.
Na renovação de dois terços do Senado Federal, onde estiveram em disputa 54 das 81 cadeiras, o Partido Liberal (PL) consolidou um crescimento expressivo ao eleger 19 senadores. Com este resultado, a bancada da legenda passa a somar 28 parlamentares a partir de 2027, tornando-se a maior força isolada na câmara alta desde a redemocratização do país. Entre os novos eleitos destacam-se figuras de forte apelo do movimento conservador, como Michelle Bolsonaro e Bia Kicis pelo Distrito Federal, bem como ex-deputados que migraram de casa legislativa. A segunda maior representação ficou com a federação União-Progressistas, que alcançou 11 cadeiras, enquanto o PT e o MDB garantiram bancadas de nove e oito senadores, respetivamente.
Na Câmara dos Deputados, a contagem oficial das 513 cadeiras consolidou blocos parlamentares robustos que ditarão o ritmo das reformas estruturais. O PL também lidera a câmara baixa com a maior bancada, impulsionado por votações expressivas que bateram recordes nacionais para o cargo de deputado federal. O bloco formado pela centro-direita e pelos partidos tradicionais do chamado “Centrão”, incluindo o PSD e o Republicanos, passa a ter o controlo da agenda legislativa, ao passo que a federação liderada pelo partido do atual governo manteve uma representação importante, porém minoritária diante da soma das forças de oposição.
A análise política destes resultados aponta para uma transformação estrutural na relação entre os poderes do Estado. Independentemente do candidato que vença a corrida presidencial em 25 de outubro, o futuro chefe de Estado enfrentará um Congresso marcadamente conservador, empoderado e muito dependente de articulação pragmática. De acordo com os principais analistas do G1 e da Folha de S.Paulo, uma eventual nova gestão à esquerda necessitará de intensas negociações e cedências políticas ao centro para aprovar projetos, enquanto uma gestão à direita, embora encontre maior alinhamento ideológico imediato com a liderança das duas casas, continuará condicionada à distribuição de poder regional. Além disso, a nova configuração do Senado — que detém a competência exclusiva de sabatinar indicações judiciais e fiscalizar magistrados — surge num momento de fricção institucional e poderá aumentar a pressão política sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

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