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Portugueses pagam entre 15 a 20% mais que os espanhóis pelos combustíveis. Impostos nacionais ultrapassam os 56% do preço por cada litro

O custo de vida dos portugueses vai sofrer um novo agravamento com o aumento generalizado dos preços da energia. De acordo com os dados mais recentes da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), os combustíveis mantêm uma trajetória de forte pressão sobre as carteiras, com o gasóleo simples a fixar-se nos 2,186 euros por litro e a gasolina de 95 octanas a atingir os 2,099 euros por litro. Perante este cenário, o Executivo português tem optado por uma estratégia distinta da vizinha Espanha, recusando a atribuição de subsídios ou apoios universais à população e canalizando as ajudas financeiras exclusivamente para o tecido empresarial. Esta posição foi defendida pela ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, que justificou o foco nos setores económicos mais vulneráveis como uma forma de travar o contágio dos custos de produção aos preços finais no consumidor, tentando assim mitigar a escalada da inflação.
A par dos combustíveis, as faturas da luz e do gás também vão registar uma subida já a partir do dia 1 de outubro. No setor elétrico, os cerca de 780 mil consumidores que permanecem no mercado regulado vão enfrentar um acréscimo de 3% nas tarifas. Esta atualização excecional foi determinada pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), que apontou a valorização do gás nos mercados internacionais como o principal motivo para a revisão em alta. Em termos práticos, este ajuste traduz-se num custo adicional mensal de cerca de um euro para um casal sem filhos, subindo para os 2,7 euros no caso de um agregado familiar composto por quatro pessoas.
O impacto será ainda mais acentuado no mercado regulado do gás natural, onde as tarifas vão sofrer um agravamento superior a 6%. Este aumento constitui a terceira maior subida dos últimos cinco anos, sendo apenas superada pelos picos registados após o início do conflito na Ucrânia, que ultrapassou os 10%, e pela subida de 7% verificada no período homólogo anterior. Segundo as projeções da ERSE, esta atualização vai representar um encargo acrescido de quase um euro por mês para os casais, elevando a fatura média anual para valores acima dos 17 euros, enquanto as famílias com dois filhos terão um aumento mensal superior a 1,6 euros, fazendo com que o custo anual total ultrapasse os 32,5 euros.

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