Tribuna Alentejo
Ciência

Espécies invasoras geram prejuízo global superior a 363 mil milhões de euros

O MARE e o ARNET lançaram uma campanha nacional de sensibilização para combater as espécies invasoras aquáticas em Portugal, um problema ecológico e financeiro que gera prejuízo global superior a 363 mil milhões de euros por ano. A iniciativa decorre entre os dias 25 e 29 de maio, integrada na Semana sobre Espécies Invasoras (#SEI2026), e aposta fortemente em plataformas digitais e cartazes físicos espalhados por vários municípios estratégicos do país. De acordo com a Plataforma Intergovernmental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES), estes invasores representam uma das cinco principais causas de perda de biodiversidade no mundo, afetando gravemente os ecossistemas aquáticos e costeiros da Península Ibérica.

Ao longo de cinco dias, a campanha foca-se em quatro espécies críticas antes de encerrar com um alerta macroeconómico global. O programa arranca com a consciencialização sobre o impacto da libertação de tartarugas exóticas de estimação em rios e lagos, um ato de falsa liberdade que destrói a fauna nativa. Segue-se o alerta sobre o ganso coreano, uma minhoca marinha usada como isco vivo cujo descarte incorreto na água ameaça os estuários. A iniciativa destaca também o peixe-gato-europeu, ou siluro, um gigante que pode atingir 120kg e colonizar o rio Tejo, e a alga castanha Rugulopteryx okamurae, que sufoca os fundos rochosos e prejudica o turismo e as pescas durante o verão.

Para além da presença no espaço público, a campanha conta com uma parceria inovadora com a empresa de isco vivo Valbaits, que vai incluir avisos diretamente nas embalagens dos produtos. O objetivo central do MARE e do ARNET é transformar a investigação científica em ação cidadã, alertando pescadores, aquaristas e o público em geral de que um pequeno descuido diário pode alterar de forma irreversível o equilíbrio ambiental e económico do país.

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