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Ambiente

Lagoa de Santo André já foi aberta ao mar

Apesar do reduzido volume de água, a Lagoa de Santo André, no concelho de Santiago do Cacém, foi ontem (dia 7) aberta ao mar, numa operação que procura promover a “renovação da água e das espécies piscícolas”.

Esta operação, que no ano passado foi cancelada devido ao volume muito reduzido de água acumulada na lagoa, contou com a coordenação da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e juntou, como habitualmente acontece, dezenas de curiosos no areal.

A Lagoa de Santo André tem, este ano, “um nível de água não muito elevado”, esperando-se, por isso, que “o tempo de permanência de abertura ao mar” seja curto, indicou André Matoso, diretor regional da Administração da Região Hidrográfica (ARH) da Alentejo, à agência Lusa.

O responsável avançou também que a operação, que foi realizada com recurso a máquinas, teve início quando passavam poucos minutos das 16:00 e apenas ficou concluída quase às 18:30, uma vez que os trabalhos foram dificultados pelas condições que o mar apresentava.

André Matoso falou também sobre a realização deste processo, que passa pela abertura de um canal “com largura e profundidade suficiente” para que seja feita a ligação da lagoa ao mar. Desta forma, “ao longo das marés que vão ocorrer nos próximos dias”, torna-se possível a ocorrência de uma “mistura das águas da lagoa e do mar” e uma consequente “renovação”.

“Seria desejável que o canal permanecesse aberto algumas semanas ou vários dias para permitir esta entrada e saída regular da água a cada ciclo de maré”, admitiu o responsável, embora reconheça que, uma vez que “não houve chuva suficiente nesta bacia hidrográfica, não estamos com boa expectativa”.

Ainda assim, André Matoso não deixou de evidenciar a importância desta operação “para as atividades de pesca que estão associadas à lagoa e que também beneficiam” da renovação da água.

A operação de abertura da Lagoa de Santo André teve o apoio do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e contou com a colaboração da Capitania do Porto de Sines.

André Matoso falou também sobre a Lagoa de Melides, no concelho de Grândola, revelando que esta lagoa tem “um bom volume de água acumulada” e que deverá ser aberta artificialmente ao mar “entre 21 e 22 deste mês”.

“Há dois anos a lagoa de Melides abriu naturalmente, num período em que choveu bastante, de tal forma que rompeu o cordão dunar, mas estamos preparados para intervir com recurso a máquinas”, na eventualidade de esse cenário não voltar a acontecer, salientou.

No ano passado, a operação de abertura da Lagoa de Santo André chegou a estar agendada por duas vezes, nos dias 18 e 31 de março, mas não se realizou, tendo sido cancelada devido ao “volume extremamente baixo de água acumulada na lagoa”, que não assegurava “potencial hidráulico suficientemente forte” para que acontecesse “a limpeza dos fundos no momento do rompimento da barra”.

A abertura da Lagoa de Santo André é feita anualmente, sempre perto do equinócio da primavera e procura promover a renovação das espécies e a limpeza da água, sendo, ao mesmo tempo, aos olhos de quem assiste, um espetáculo da natureza. 

 

Fotografia de observador.pt

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