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Há 22 freguesias alentejanas sem acesso a uma caixa Multibanco

Mais de 12 mil residentes nos distritos de Beja, Évora e Portalegre enfrentam o dia a dia sem qualquer posto de acesso a dinheiro físico na sua própria área de residência. Um relatório recente do Banco de Portugal revela que existem 22 freguesias nestas três regiões alentejanas totalmente desprovidas de terminais para levantar ou depositar notas e moedas. O documento detalha que Évora é o distrito mais afetado em número de localidades, registando 10 freguesias sem cobertura, onde vivem cerca de seis mil pessoas. Seguem-se Beja e Portalegre, ambos com seis freguesias afetadas, prejudicando mais de quatro mil e dois mil cidadãos, respetivamente. Para além disso, o regulador financeiro coloca Beja em destaque pela negativa, sendo o distrito do país que apresenta o maior volume de freguesias classificadas como potencialmente vulneráveis a futuras reduções ou encerramentos de balcões e caixas automáticas.
A análise global da instituição mostra que, no encerramento de 2025, o país contava com praticamente 18 mil locais para levantamento de numerário, divididos majoritariamente por caixas automáticas da rede Multibanco, agências bancárias tradicionais e postos de pagamento em estabelecimentos comerciais. Mesmo com estes números, 40% das freguesias de Portugal não possuem qualquer infraestrutura do género, obrigando perto de 700 mil portugueses a deslocarem-se para fora da sua localidade sempre que necessitam de dinheiro vivo. O banco central salienta que a falta de um terminal numa freguesia não significa obrigatoriamente um isolamento total, uma vez que a população recorre frequentemente a postos em zonas vizinhas. Ainda assim, existem 15 freguesias no país onde a distância média até à caixa mais próxima supera os 20 quilómetros, um problema com reduzido impacto demográfico à escala nacional, mas com forte impacto geográfico para as populações afetadas.
Para prever os riscos de novos cortes na rede de distribuição de numerário, o regulador avaliou o rácio de habitantes e de território dependentes de cada ponto de atendimento. Foram sinalizadas 36 freguesias em todo o território nacional com maior risco de exclusão financeira face a futuros encerramentos, localizadas maioritariamente no interior de Portugal. Beja lidera esta lista de fragilidade com oito freguesias sob aviso, seguida por Santarém com cinco, Castelo Branco com quatro e Évora com três. Apesar do alerta focado na desertificação bancária destas zonas vulneráveis, o Banco de Portugal conclui com uma nota de estabilidade, garantindo que o cenário geral de acesso a dinheiro físico não registou um agravamento nos últimos anos.

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