A Infraestruturas de Portugal inaugurou esta quinta-feira, 3 de setembro, a Variante Nascente de Évora do IP2, uma obra de 54,9 milhões de euros integralmente financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência. Com 12,8 quilómetros de extensão e perfil de autoestrada — dupla faixa de rodagem em cada sentido com separador central —, a nova variante liga o Nó de Évora Nascente da A6 à EN18, no troço entre a cidade alentejana e o IP2. A cerimónia contou com a presença do secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, e do vice-presidente da Câmara de Évora, Jerónimo José, que classificou o projecto como “há muito ambicionado”. De acordo com estudos realizados, a obra poderá retirar entre 30% a 40% do trânsito que circula dentro da cidade — sobretudo tráfego de pesados e de ligação Norte-Sul sem necessidade de atravessar o centro urbano.
A inauguração foi o mote para um anúncio mais amplo: Hugo Espírito Santo revelou que a IP vai investir no Alentejo um total de 700 milhões de euros até ao final de 2028, distribuídos pelos distritos de Évora, Beja e Portalegre em obras rodoviárias e ferroviárias — incluindo a eletrificação da Linha do Alentejo entre Casa Branca e Beja, a duplicação do troço Poceirão–Bombel e as intervenções rodoviárias do PRR ainda em curso, como os troços do IP8 em Sines e as variantes no distrito de Beja. O secretário de Estado sublinhou que a variante “não serve apenas Évora” mas tem “dimensão nacional”, essencial para um Alentejo mais ligado e capaz de se desenvolver.
A inauguração, porém, não fecha o dossier do IP2 em Évora. Falta ainda o troço entre a nova variante e o Ramal de São Manços, cujas obras foram interrompidas em 2011 e nunca retomadas — uma reivindicação de décadas que a Organização Regional de Évora do PCP não deixou passar em silêncio, classificando de “propaganda” a inauguração sem o fecho da obra completa. Questionado, Hugo Espírito Santo assegurou que o troço em falta será “um passo subsequente”, sem avançar prazos. O deputado do PS por Évora, Luís Dias, saudou a abertura mas advertiu que o Governo não se deve “apropriar politicamente de investimentos decididos e financiados pelos governos socialistas”. Para uma região que durante décadas se habituou a ver as grandes obras passar ao largo, 700 milhões de euros em dois anos é um número que merece ser acompanhado de perto — para verificar se as promessas de hoje se transformam em estradas e linhas de comboio a funcionar até ao final de 2028.
