A falta de médicos de hematologia no Alentejo e no Algarve está a gerar uma troca de acusações entre os sindicatos e os responsáveis da saúde na região. O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS-FNAM) alertou que estas duas regiões contam com apenas duas especialistas no ativo. Segundo a estrutura sindical, uma destas profissionais divide-se entre Portimão e Beja, trabalhando sob enorme desgaste e em regime de prestação de serviços, enquanto a outra assegura os cuidados em Évora. O sindicato critica fortemente a tutela por não ter criado vagas carenciadas — que oferecem incentivos para fixar clínicos em zonas isoladas — nos concursos de 2025 e 2026.
Contudo, as administrações de saúde locais rejeitam este cenário de rutura total. O presidente da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve, Tiago Botelho, classificou a denúncia de falsa e esclareceu que a região dispõe de quatro hematologistas contratadas como prestadoras de serviços, estando uma delas de licença de maternidade. O responsável explicou que a definição de vagas carenciadas cabe ao Governo e revelou que duas das médicas concorreram recentemente a vagas abertas para o Algarve, o que deverá permitir a sua integração nos quadros em breve. Adicionalmente, a ULS Algarve solicitou ao Ministério da Saúde a reconversão de vagas não preenchidas noutras áreas para reforçar a Hematologia.
No Alentejo, as direções hospitalares também garantem que a assistência médica está salvaguardada. A ULS do Alentejo Central, sediada em Évora, desmentiu o sindicato ao esclarecer que, além da sua médica residente, conta desde março de 2026 com o apoio regular de três hematologistas que se deslocam à cidade duas vezes por mês. Por sua vez, a ULS do Baixo Alentejo confirmou que o hospital de Beja depende atualmente da médica que viaja do Algarve, mas adiantou que está a tentar negociar um aumento do seu horário e a preparar um protocolo de colaboração com o IPO de Lisboa, além de planear a exigência de novas vagas ao Governo. Face a este impasse, o SMZS-FNAM avançou que vai expor o caso à Ordem dos Médicos e à Direção Executiva do SNS, exigindo também uma reunião urgente com os líderes da saúde algarvia.
