A Enoteca de Redondo converteu-se no cenário de uma autêntica celebração da identidade cultural alentejana ao acolher mais uma edição do Gaspacho de Alguidar, um evento que combinou harmoniosamente a gastronomia tradicional e a arte oleira da região. No passado dia 7 de junho, a icónica sopa fria do Alentejo, confecionada pelo mestre Vicente Quadrado, foi a grande protagonista de um repasto servido com o clássico peixe frito, conquistando o paladar de quase uma centena de comensais.
Para confecionar o gaspacho alentejano não há segredo, mas sim respeito pela frescura da horta. A receita original combina pão, alho, pepino, tomate e pimento, sendo generosamente temperada com sal, azeite, vinagre e orégãos. Esta icónica iguaria carrega séculos de história, remontando à época romana ou árabe, quando as primeiras versões consistiam numa mistura simples de água, pão, vinagre, azeite e sal para saciar e refrescar os trabalhadores. Foi apenas após a chegada dos descobridores à América que ingredientes cruciais como o tomate e o pimento foram integrados na receita.
Ao contrário da conhecida versão espanhola triturada, o gaspacho alentejano destaca-se pela sua textura, onde todos os vegetais são meticulosamente picados à mão, mantendo viva a essência da resiliência dos antigos trabalhadores rurais do Alentejo.
Organizado originalmente para coincidir com as comemorações do Dia Internacional dos Museus e do evento europeu Bom dia Cerâmica!, o certame teve de ser reagendado devido às condições climatéricas adversas. Ainda assim, o adiamento não retirou o brilho à exaltação da tradição oleira da vila de Redondo, contando com a presença honrosa de diversos mestres e pintoras locais. Um dos momentos altos do início do evento foi protagonizado pela pintora norte-americana Krystyny Vandenberg, que cumpre a sua segunda residência artística na vila. A artista surpreendeu e agraciou Vicente Quadrado com uma das suas criações, que ilustra precisamente o mestre no ato de preparar um gaspacho.
O almoço transformou-se numa ode ao Património Imaterial alentejano. O refrescante gaspacho foi preparado e servido em grandes alguidares centenários, provenientes da olaria local, unindo o barro das mesas ao vinho e à comida.
