Tribuna Alentejo
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Baixo Alentejo

Vila de Frades abre as Talhas a 11 de novembro. Vinho milenar tem cada vez mais apreciadores

A localidade de Vila de Frades vai acolher, no próximo dia 11 de novembro, pelas 18h00, a tradicional cerimónia de Abertura da Talha. Organizado pela Câmara Municipal de Vidigueira em parceria com a Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, o certame terá lugar no Centro Interpretativo do Vinho de Talha. O evento surge como uma homenagem à distinção do Baixo Alentejo como Cidade Europeia do Vinho, assumindo especial relevância na exaltação de costumes vitivinícolas que definem a identidade cultural da região alentejana. Segundo os responsáveis autárquicos, este momento festivo serve para promover o conhecimento ancestral associado a este património único, estreitando laços entre a comunidade e a atividade vinícola regional.
Esta iniciativa acontece numa altura em que se recorda o vasto conjunto de tradições locais que constituem uma herança cultural consolidada. Muitas destas práticas nasceram no próprio território, enquanto outras resultaram da forte influência dos povos que por ali habitaram ao longo da história. O roteiro cultural da região foca-se precisamente na produção do vinho de talha, um milenar processo de vinificação cujas origens remontam à época da ocupação romana. Ao longo das gerações, as técnicas mantiveram-se praticamente imutáveis, variando apenas de acordo com os costumes específicos de cada localidade, o que fez do Alentejo o verdadeiro guardião desta arte.
O coração de todo este método assenta na talha, um grande pote bojudo de barro cozido artesanalmente em fornos de lenha. Estes recipientes eram modelados à mão através da técnica do cordão pelos mestres oleiros de importantes centros da região, como Beringel, São Pedro do Corval e Campo Maior. Aliada à criação destas peças estava também a profissão do gateador, o artesão responsável por remendar e fazer a manutenção dos potes de barro recorrendo à aplicação de “gatos”.
O processo de vinificação alentejano distingue-se pelo esmagamento inicial das uvas, seguido frequentemente pela técnica do “ripanço” para a remoção da parte lenhosa do cacho. Durante a fase de fermentação, as massas vínicas são mexidas várias vezes ao dia com um rodo de madeira. Para garantir as temperaturas frescas ideais para este processo, muitas adegas encontram-se construídas alguns metros abaixo do nível do solo. Assim que a fermentação termina e o vinho repousa, o produto pode ser transferido para novos recipientes ou ser consumido de forma direta através de uma torneira instalada na base da própria talha.
Embora esta prática de cariz familiar se estenda por toda a Região Vitivinícola Alentejana, Vila de Frades destaca-se como a “Capital do Vinho da Talha”. Foi nesta vila que, em 1998, nasceu o certame “Vitifrades“, um evento crucial que salvaguardou a tradição num momento em que corria o risco de desaparecer. Com o intuito de perpetuar este legado, o Centro Interpretativo do Vinho de Talha abriu as suas portas ao público em 2020 nesta freguesia, funcionando como um espaço didático dedicado ao saber-fazer artesanal.
Atualmente, de forma a blindar juridicamente esta riqueza histórica, o município de Vidigueira lidera o processo de candidatura da Produção Tradicional de Vinho de Talha a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

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