O início do julgamento de dois cidadãos espanhóis no Tribunal de Beja, acusados de traficar 786 quilos de haxixe a bordo de um veleiro, foi anulado esta quarta-feira devido a um impasse com a tradução. A detenção ocorreu na noite de 7 de outubro do ano passado, no Pomarão, concelho de Mértola, quando os arguidos foram intercetados com uma quantidade de droga equivalente a 1,5 milhões de doses individuais. Ambos os homens, um galego de 56 anos e um madrileno de 43 anos, aguardam o desfecho do caso em prisão preventiva.
A reviravolta no tribunal aconteceu logo após um dos arguidos, Francisco Rial, ter confessado os crimes descritos na acusação, embora ressalvando que não tinha vendido os estupefacientes. Perante este depoimento, a juíza questionou a defesa sobre a extensão da confissão, momento em que o advogado Vítor Parente Ribeiro avançou com um incidente de recusa contra o tradutor do tribunal. O causídico, que se tornou mediático ao representar as famílias das vítimas da tragédia do Meco em 2013, criticou o facto de o tradutor usar o telemóvel para transcrever as palavras da magistrada antes de as transmitir aos arguidos, alegando que a tradução era incorreta.
A contestação recebeu o apoio da advogada do segundo arguido, António Contreras. Confrontado pela presidente do coletivo de juízes sobre as suas capacidades para prosseguir, o tradutor admitiu não ter condições para continuar o trabalho. Face à impossibilidade de recrutar outro profissional no imediato, o tribunal viu-se obrigado a invalidar todos os atos praticados na sessão e a reagendar o arranque do novo julgamento para o próximo dia 27 de outubro. O encerramento da audiência ficou ainda marcado por momentos de tensão, com a juíza a responsabilizar diretamente a postura da defesa pela anulação do julgamento, lembrando que esta não era a primeira vez que o advogado levantava este tipo de objeções.
