A sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Portalegre sobre os serviços de saúde terminou em tumulto e com o abandono em massa da oposição, após protestos do público e dos eleitos da CLIP, PS e CDU ontem, terça-feira, dia 13 de outubro. A contestação subiu de tom devido à insatisfação com as explicações de Miguel Lopes, líder da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo (ULSAALE), e culminou quando o presidente da Assembleia, Luís Romão, permitiu a intervenção da presidente da Câmara, Fermelinda Carvalho.
O debate, motivado por um requerimento dos socialistas face à reestruturação do Serviço de Oncologia do Hospital Doutor José Maria Grande, focou-se na redução do horário do médico Rui Dinis. Na reta final, vários cidadãos interromperam os trabalhos ao gritarem “vergonha”, queixando-se da falta de respostas sobre o futuro do acompanhamento clínico. A indignação moveu-se depois para a entrada do Centro de Congressos, onde se registaram momentos de grande tensão e confrontos verbais à saída dos administradores da ULSAALE. Pouco depois, as bancadas da oposição retiraram-se em bloco quando a líder do município pediu e obteve o direito de discursar, uma decisão criticada pelo PS por não constar na ordem de trabalhos.
Em sua defesa, Miguel Lopes apresentou dados que indicam um crescimento superior a 66% no volume de doentes oncológicos entre 2023 e 2026, totalizando cerca de 2500 utentes ativos na região. O gestor justificou as mudanças com a necessidade de uma reorganização distrital alargada, recusando que o serviço dependa exclusivamente de um profissional. Garantiu que Rui Dinis manterá o seguimento dos seus pacientes, mas explicou que o “reagendamento administrativo” serve para evitar sobreposições de horários e consultas pela noite dentro.
Para reforçar os cuidados, o responsável anunciou a integração de um novo oncologista a tempo inteiro desde o início do mês, a revisão de parcerias com a ULS do Alentejo Central e o IPO de Lisboa, além da possibilidade de avançar com uma auditoria da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde à unidade de Portalegre. Do lado político, o líder parlamentar do PS, João Pedro Meira, acusou a administração de fugir às perguntas diretas — nomeadamente sobre o concurso do novo clínico e as razões da auditoria — e prometeu levar as exigências de doentes e familiares até às últimas consequências institucionais.
